BRANCA BILHAR.
POR JORGE MELLO
Dedico o presente artigo à mulher cearense, por sua determinação,sabedoria e coragem.
Na medida que eu ia avançando na pesquisa sobre o panorama musical do Rio de Janeiro entre os anos 1915/1930, encontrava também um número expressivo de material sobre ela. Cheguei a conclusão que a história de Branca tinha vida própria, merecendo portanto um artigo exclusivo dedicado a ela. Preocupei-me em registrar aquí todas as informações que encontrei sobre Branca Bilhar, com o intuito de delinear seu perfil. Apesar de todo meu esforço nesse sentido, o presente artigo ainda se encontra longe de refletir toda a história dessa pianista e compositora que viveu muito a frente de seu tempo.
1) As primeiras notas, os primeiros passos:
1) As primeiras notas, os primeiros passos:
Meu interesse por Branca Bilhar surgiu a partir da pesquisa que fiz sobre um dos tios dela, o legendário Satyro Bilhar. No artigo sobre ele que publiquei nesse blog,contei um pouco da trajetória artística de Branca. Entretanto, a me
Não conseguí até o momento encontrar algum registro da data em que Branca Bilhar veio para o Rio de Janeiro nem quando ingressou no Instituto, de modo que estas são questões ainda em aberto, sujeitas a confirmação.
De concreto, baseado em informações dadas por Branca (nos já citados dados autobiográficos), apurei que ela estudou naquela instituição teoria musical com a Professora Caroluna V. Coelho,piano com o Professor Barrozo Netto, terminando o curso sob a direção do Professor Dr. Godofredo Leão Velloso. Cursou igualmente violino até o 6º ano com o Professor Ernesto Ronchini. Estudou harmonia com o Professor Agnello França, fora do Instituto Nacional de Música.
O curso de piano ela concluiu em 13 de dezembro de 1913, tendo prestado concurso público em 29 de dezembro do mesmo ano. A esse respeito, encontrei a primeira notícia sobre Branca publicada em jornal(4):
" Realizou-se hontem, no salão do Jornal do Commercio, por achar-se em obras o edificio do Instituto Nacional de Musica, a primeira serie das provas publicas de habilitação, a que se refere o regulamento de 1907 desse estabelecimento de ensino.
Tomaram parte no concurso, sendo todos muito applaudidos, os seguintes alumnos:
Elsa Marietta Spann, João Octaviano Gonçalves, Léone Eugéne Lapagesse, Marietta Ferreira Maia, Nair de Mendonça, Olympia Braune, Branca de Alcantara Bilhar, Lisette de Lourdes Marques de Oliveira e Maria Luiza de Queiroz.
Foram os seguintes os membros do Jury:
Presidente: Director Alberto Nepomuceno; Vogaes: os membros honorarios Arthur Napoleão dos Santos e José Rodrigues Barbosa e os professores Arnaud Duarte de Gouvêa, Elvira Bello Lobo, Francisco Braga e Maria Clara Camara de Menezes (livre docente).
Damos em seguida o resultado:
1º Premio, medalha de ouro por unanimidade:
João Octaviano Gonçalves, Branca de Alcantara Bilhar e Maria Luiza de Queiroz".
Nesse concurso Branca se apresentou executando as seguintes peças:
* Fragmentos da OP 35 (XV variação e fuga) de Beethoven.
* Preludio e fuga nº11 em fá menor, de J. S. Bach (1º volume do Cravo Bem Temperado).
*a) Le Mal du Pays. b) Vallée d Obermann- Franz Liszt.
2)
Consta no programa peças de Schumann, Beethoven (Sonata nº2, Op31), Mendelssohn (Romance), Grieg(Noturno), Liszt (Fantasia e Fuga, sobre um tema de Bach e Rapsodia Húngara nº 10) e Debussy (Minstrels).
A crítica não lhe poupou elogios,considerando a performance de Branca muito além das expectativas(6):
"Na interpretação da Sonata nº 2, Op 31 de Beethoven deu a composição uma accentuação que indicava impressão pessoal de quem compreendia a alma do grande soffredor, sem devassar-lhe ainda os abysmos da dor, mas percebendo-lhe a extensão da agonia.
De Mendelssohn, no Romance, ella desenhou com firmeza a linha aristocrática irrepreensível; de Schumann deu-nos a dramaticidade fundamente e resignadamente e de Liszt traduzio o surto de águia da Fantasia e Fuga, com brilho e vigor pouco comuns".
O crítico do Jornal do Commercio creditou parte do êxito de Branca ao Prof. Dr. Godofredo Leão Velloso, com quem ela fez os dois últimos anos do curso de piano no Instituto Nacional de Música, assim como destacou sua sensibilidade, maturidade nas interpretações e recursos técnicos admiráveis.
O segundo recital, também realizado no Salão Nobre do Jornal do Commercio, foi anunciado para o dia 20 de junho de 1916 (7), com o seguinte programa:Surge em 6 de maio de 1915 a notícia da primeira apresentação pública de Branca Bilhar(5):
"No salão nobre do Jornal do Commercio realiza-se no sabbado proximo, 8 do corrente, ás 21 horas, um excelente concerto, em que se apresenta ao público carioca, pela primeira vez, a talentosa pianista brasileira, senhorinha Branca Bilhar, 1º premio no Instituto Nacional de Musica".1ª parte:
1ª parte:1- Meldelssohn: Prelúdio e Fuga, Op 35.
2- Liszt: Estudos de Paganini
3- H. Oswald:Il NeigeDe acordo com o material autobiográfico encontrado na pasta "Branca Bilhar", o seu nascimento ocorreu em 17 de novembro de 1891(1).
No livro de F. Silva Nobre(2), no verbete Branca Bilhar, é dito que ela iniciou o aprendizado de piano aos 8 anos com a professora Dondon Feijó da Costa Ribeiro, ainda em Fortaleza e que ainda lá estudou violino com o Maestro Henrique Jorge.
Encontra-se também que "...em 1909 seguiu para o Rio de Janeiro para continuar seu aprendizado no Instituto de Música, onde ingressou em 1911". Por outro lado, Eunice Katunda em seu ensaio "Branca Bilhar, professora de piano", publicado no livro de Carlos Katz (3) nos diz que: " Branca era sobrinha de D. Anna Bilhar. Orfã desde muito cedo, foi adotada pela tia que a criou como filha, tornando-a uma mulher culta e extraordinariamente brilhante, fazendo-a estudar no Instituto Nacional de Música...". Branca era filha de Cândida Candéia e do Dr.Joaquim Lopes de Alcântara Bilhar.Joaquim faleceu em 9 de maio de 1905 em Fortaleza, mas ignoro a data em que sua esposa faleceu...deste modo, levando-se em conta os fatores da cultura nordestina daquela época, o que disse Eunice só faz sentido se D. Cândida tiver falecido antes do Dr. Joaquim, ou seja, antes de 1905. As primeiras apresentações:
4- Gabrilowsky: Mazurka Melancólica
5- Liszt: Vallée dObermann
2ª parte:
6- Chopin: Soneto,Op 35.
7- A. Nepomuceno:Improviso
8- Debussy: Ce Qua Vu le Vent dOuest
9- Moskowisky: Estudo (Les Vagues).
Situando Branca Bilhar como pertencente ao rol das mulheres modernas, já naquela época, que transformam seus dons em instrumentos de luta e as suas prendas em valores eficientes na luta pela tão sonhada emancipação, o crítico do Jornal do Commercio assim se manifestou(8): Em 11 de novembro de 1916 foi organizado um concerto em benefício do conhecido bilheteiro sr. José Sergio, no salão nobre do Jornal do Commercio(9). Tal evento ocorreu com a participação dos srs Comendador Arthur Napoleão e Alfredo Bevilacqua, sras Nicia Silva e Lidia Salgado, senhorinha Branca Bilhar e os srs Nascimento Filho, Roberto Mario, Hermano Andelfi, Luciano Gallet, A.C. Cardoso de Menezes Filho e O. Alleoni. Na ocasião, Branca executou as seguintes peças:
1- Gluck: Gavotte
2- Chopin: Nocturno nº 13.Uma comissão formada por Branca Bilha, Carmen A. Braga, Guilnar B. Stampa, Jacyra Amorim, Marietta Freitas e Zelia Autran organizou um concerto em homenagem ao Maestro Alberto Nepomuceno, realizado em 25 de novembro de 1916, na sala da Associação dos Empregados no Comercio. Neste concerto Branca executou as seguintes peças(10):
7- A. Nepomuceno:Improviso
8- Debussy: Ce Qua Vu le Vent dOuest
9- Moskowisky: Estudo (Les Vagues).
Situando Branca Bilhar como pertencente ao rol das mulheres modernas, já naquela época, que transformam seus dons em instrumentos de luta e as suas prendas em valores eficientes na luta pela tão sonhada emancipação, o crítico do Jornal do Commercio assim se manifestou(8): Em 11 de novembro de 1916 foi organizado um concerto em benefício do conhecido bilheteiro sr. José Sergio, no salão nobre do Jornal do Commercio(9). Tal evento ocorreu com a participação dos srs Comendador Arthur Napoleão e Alfredo Bevilacqua, sras Nicia Silva e Lidia Salgado, senhorinha Branca Bilhar e os srs Nascimento Filho, Roberto Mario, Hermano Andelfi, Luciano Gallet, A.C. Cardoso de Menezes Filho e O. Alleoni. Na ocasião, Branca executou as seguintes peças:
1- Gluck: Gavotte
2- Chopin: Nocturno nº 13.Uma comissão formada por Branca Bilha, Carmen A. Braga, Guilnar B. Stampa, Jacyra Amorim, Marietta Freitas e Zelia Autran organizou um concerto em homenagem ao Maestro Alberto Nepomuceno, realizado em 25 de novembro de 1916, na sala da Associação dos Empregados no Comercio. Neste concerto Branca executou as seguintes peças(10):
" É realmente para deplorar que uma pianista como a senhorinha Branca Bilhar apenas de ano em ano se ofereça á admiração e aos applausosde quantos acorrem a ouvir-lhe a tradução sonora das composições dos grandes mestres. Pelo seu talento, pela sua interpretação toda pessoal, pela sua penetrante investigação da psyche dos autores, a jovem pianista deveria estar em convivio mais frequente com a alma da coletividade que ela sabe fazer vibrar com a sua arte feita de sentimentos e de expressão".
1- A. Nepomuceno: Improviso.
2- F. Chopin:Nocturno, Op 48.
2- F. Chopin:Nocturno, Op 48.
3) O Pensionato de D. Anna Bilhar
É praticamente impossível falar de Branca Bilhar sem mencionar a importância fundamental que sua tia, Anna Bilhar, teve em sua formação geral. A esse respeito, reproduzo aquí as palavras de Eunice Katunda(11):
" Grande parte do meu tempo de garota eu o passei num casarão da Tijuca, na rua Desembargador Isidro, num pensionato para jovens estudantes de música. Era alí a casa de D. Anna Bilhar, velha representante nordestina da cultura brasileira, intelectual de talento, admiradora de Victor Hugo, cuja obra poética conhecia profundamente. Radicada no Rio de Janeiro, comprara aquele casarão cercado de imenso jardim onde perfumavam os jasmineiros e os sapotizeiros imensos. Alí se hospedavam jovens cearenses, paranaenses, mineiras e gauchas enviadas para estudar música no Rio de Janeiro com a pianista e compositora Branca Bilhar".
O pensionato funcionava como um conservatório particular e foi lá que a menina Eunice do Monte Lima( esse é o nome de solteira de Eunice Katunda), nascida em 14 de março de 1915, seguiu aos nove anos de idade para estudar piano com Branca. Eunice nos conta que:
" Com Branca estudei perto de dois anos e a ela devo um periodo de trabalho produtivo".
No pensionato aconteciam reuniões promovidas por D. Anna Bilhar contando com a presença de grandes intelectuais nordestinos. Literatura, música e política eram os temas abordados. Branca era grande admiradora de Prestes e de Isidoro, tendo composto um hino revolucionário dedicado ao 5 de julho.
"Aquele hino foi a Marselhesa da minha adolescencia" conta Eunice. Ela ainda presenciou uma audição improvidada dada por Satyro Bilhar quando este foi visitar sua irmã Anna e a sobrinha Branca no pensionato (12).
Ainda sob o impacto na morte de Satyro, ocorrida em 22 de outubro de 1926, Branca organizou uma audição de suas alunas em 28 de novembro daquele ano.
Desfilaram no imenso salão do pensionato, através de um repertório que incluia Schumann, Mendelssohn, Tchaicowsky, Moskowsky, Rachmaninoff, Rubinstein, D. Scarlatti, Saint Saens, Beethonen, Chopin, Liszt, Grieg, Albeniz e outros compositores tais como Philipps, P. Wachs, W. Kern e a propria Branca Bilhar, as seguintes alunas: Syrte Carvalho, Lygia Moura, Armanda Alice, Marilda Serpa, Genny Schulz, Wanda Schulz, Zoraide Torres, Junia Pontes, Conceição Ganem, Maria José Caher, Margarida Lopes, Graciema Freire, Elza Leal, Adelaide Messiano, Zita Pontes, Marina L. Fonseca, Cecilia M. Pereira, Alcéa Murat, Maria José Oliveira, Helena Medeiros e Eunice Monte Lima. O crítico musical do Jornal do Brasil, Arthur Imbassay, apontou os destaques daquela apresentação (13):
"Aquele hino foi a Marselhesa da minha adolescencia" conta Eunice. Ela ainda presenciou uma audição improvidada dada por Satyro Bilhar quando este foi visitar sua irmã Anna e a sobrinha Branca no pensionato (12).
Ainda sob o impacto na morte de Satyro, ocorrida em 22 de outubro de 1926, Branca organizou uma audição de suas alunas em 28 de novembro daquele ano.
Desfilaram no imenso salão do pensionato, através de um repertório que incluia Schumann, Mendelssohn, Tchaicowsky, Moskowsky, Rachmaninoff, Rubinstein, D. Scarlatti, Saint Saens, Beethonen, Chopin, Liszt, Grieg, Albeniz e outros compositores tais como Philipps, P. Wachs, W. Kern e a propria Branca Bilhar, as seguintes alunas: Syrte Carvalho, Lygia Moura, Armanda Alice, Marilda Serpa, Genny Schulz, Wanda Schulz, Zoraide Torres, Junia Pontes, Conceição Ganem, Maria José Caher, Margarida Lopes, Graciema Freire, Elza Leal, Adelaide Messiano, Zita Pontes, Marina L. Fonseca, Cecilia M. Pereira, Alcéa Murat, Maria José Oliveira, Helena Medeiros e Eunice Monte Lima. O crítico musical do Jornal do Brasil, Arthur Imbassay, apontou os destaques daquela apresentação (13):
" Margarida Lopes, num Estudo de Schumann e Jout da Noces, de Grieg.Helena Medeiros, no Rondó Caprichoso, de Mendelssohn. Wanda Schulz no Estudo de Concerto, de Rubinstein.Maria José de Oliveira no Estudo de Concerto de Moskowsky e na 11ª Raphysódia, de Liszt. A menina Eunice Monte Lima na execução de um dos mais difíceis Estudos de Chopin, no Scherzo de Sniding e no Feux Folets, de J. Philipps, foi muito além da expectativa geral.Deve pois estar, com razão, se rejubilando pelo êxito da audição, a professora Branca Bilhar, a quem daquí tambem envio os meus applausos". Em 27 de março de 1927, passados quase cinco meses daquela audição, Branca recebe um golpe muito difícil de se suportar: Morre no casarão da rua Desembargador Isidro nº 32, a alma do pensionato: Anna Bilhar. Ela que foi para Branca uma verdadeira mãe, que lhe deu uma esmerada formação, fundamental para o seu êxito na música. Era ela, D. Anna, quem dirigia o pensionato de forma rigorosa, porém com suavidade, articulando todas as suas ações para o melhor aproveitamento das alunas. Na nota de falecimento de D. Anna Bilhar, publicada do Jornal do Brasil, extraí alguns trechos para melhor compor o seu perfil(14): " Nome para muitos desconhecido, mas que representava um dos fortes esteios da sociedade brasileira e um dos mais cultos espíritos, Anna Bilhar dedicou meio século de sua proveitosa existência ao preparo intelectual das nossas jovens patrícias vindas de todos os pontos do nosso imenso Brasil".Anna Bilhar empresta seu nome à uma das ruas mais importantes de Fortaleza, capital do Estado do Ceará. Nascida naquele estado, na cidade de Crato, ela elevou-se pelo seu próprio esforço, perseverança e inteligência. Já como professora de uma modesta escola, continuou estudando até se tornar diretora e proprietária de uma importante instituição de ensino em Fortaleza: O Colégio Nossa Senhora de Lourdes (15). Transcrevo abaixo o final da nota de falecimento: "Anna Bilhar deixa às brasileiras o benéfico exemplo de grandes virtudes com a rara característica da verdadeira "self made woman", de espírito forte e bondoso".
4)A obra de Branca Bilhar e a sua divulgação. Em 5 de junho de 1921 Branca Bilhar organizou um festival em benefício ao monumento do Cristo Redentor (16). Desse evento realizado no salão nobre do Jornal do Commercio participaram, além de Branca, os seguintes artistas:Professor Humberto Melano( violino), Maria Emma(soprano), Diva Silva , Vera Santoro (declamadora), Adacto Filho (barítono), Brasiliana Bormann( violoncello) e Nícia Silva(soprano). Nesta ocasião Branca apresentou quatro composições suas, ao piano:
1)Fonte.
2) Bailado. 3)Improviso. 4)Reminiscência.
Tanto quanto pude averiguar, esta foi a primeira vez em que ela apresentou algumas de suas composições em público. A partir de então ela passou a incluir composições suas nos recitais que dava. Na já mencionada audição de alunas, Cecília Pereira executou Reminiscência, peça considerada "difícil" pelo crítico sr. Arthur Imbassay. Um pouco antes da audição, Eunice Monte Lima, a mais destacada aluna de Branca, participou de um Concerto de Roberto Mario, interpretando a Serenata Espanhola de Albeniz, o Sherzo de Sindiney, um Estudo de Chopin e o Samba Sertanejo, de Branca Bilhar. A crítica assim se manifestou(17): "Começou por fim o concerto, com a apparição da senhorita Eunice Monte Lima-uma criança de onze annos, cuja figura desde logo despertou o interesse do auditorio, sentimento esse que pouco a pouco se traduziu em irreprimivel enthusiasmo, tal a segurança, o estylo e a memoria que revelou a pequena virtuosi". A vitoriosa carreira de Eunice teve início com o seu primeiro concerto, realizado no Instituto Nacional de Musica em 22 de outubro de 1927 (18). No programa, peças de Chopin, Schumann, Castelnuovo Tedesco, Mendelssohn, entre outros e Branca Bilhar, de quem Eunice executou o Bailado Indígena. O programa Noite Cearense, transmitido ao vivo pela Radio Sociedade do Rio de Janeiro em 16 de abril de 1928 contou com os seguintes artistas e literatos cearenses(19): Pianista e compositora Branca Bilhar, Pianista e Maestro Mario de Azevedo, Flautista e professor Moacyr Lisserra, escritor padre Assis Memória, cantora Maria Emma Freire, declamadora Alpha Rabello Albano e da Orquestra da Radio Sociedade do Rio de Janeiro. Uma palestra histórica sobre o Ceará, versos de poetas cearenses e uma apresentação musical com obras de dois compositores cearenses, Branca Bilhar e Alberto Nepomuceno, constituiam a programação. As obras de Branca que foram executadadas naquele evento são as seguintes:1) Reminiscência- ao piano, pela autora. 2)Serenata para piano e flauta- Ao piano, a autora e na flauta, o sr Moacyr Lisserra. 3)Eterna Saudade- Canto por Maria Emma Freire e piano, pela autora. 4)Romance- Orquestra da Radio Sociedade. 5)Recordação Sertaneja- Ao piano, pela autora. 6) Bailado Indígena-Ao piano, pela autora. 7) Barcarolla- Sr Moacyr Lisserra na flauta e a autora, ao piano.
É bem provável que esta tenha sido a última apresentação pública de Branca, que faleceu em 22 de dezembro de 1928 na Casa de Saúde São Sebastião, na Rua Bento Lisboa, bairro do Catete, onde se encontrava internada. Seu falecimento teve apenas uma nota, publicada no Correio da Manhã (20).
Eunice Katunda aponta o famoso pianista Edouard Risler como um grande divulgador da obra de Branca (21) :" Risler compreendeu bem o profundo conteudo nacinal da música de Branca. Executou muitas delas tanto no Rio quanto no estrangeiro". Risler esteve no Rio de Janeiro em três ocasiões, pelo que pude apurar. A primeira delas ocorreu em 1919, aquí chegando em 2 de agosto e realizando seis concertos entre 8 e 29 de agosto. A segunda vez foi em 1922, após uma temporada de três meses em Buenos Aires. No Rio de Janeiro ele deu três concertos no Theatro Municipal (dias 7, 19 e 25 de outubro de 1922). A terceira e última vez em que aquí esteve foi em 1925 onde deu quatro concertos na primeira quinzena do mes de julho. Na segunda quinzena daquele mês realizou também quatro concertos no Theatro Municipal de São Paulo, tendo em seguida retornado ao Rio de Janeiro, onde se apresentou em 01 de agosto, no Theatro Municipal daquí. Infelizmente não encontrei registro algum dele interpretando músicas de Branca, o que não significa dizer que não o tenha feito. De fato ao examinar a programação de todos os concertos que ele realizou, pude observar que eram mencionados os nomes dos mais importantes compositores, sendo frequente encontrar que ele " executou peças de outros compositores". A única vez que encontrei os nomes de Branca e Risler em uma mesma notícia foi em 09 de agosto de 1925(22). Risler despediu-se do Rio de Janeiro no dia 8 de agosto, partindo para uma nova temporada em Buenos Aires. Na véspera, porém, realizou o desejo de conhecer o Instituto Nacional de Música onde: "As 14 e meia hora desse dia dava effectivamente entrada no grande estabelecimento o mestre do piano, acompanhado pela profesora Alcina Navarro e pela senhorita Branca Bilhar".Após a morte de Branca, suas músicas foram apresentadas, e de maneira esporádica, apenas na Radio Sociedade do Rio de Janeiro, graças aos esforços do Maestro e Pianista Mario de Azevedo: Em 01 de maio de 1929 Mario interpretou ao piano a peça Bailado Indígena,no Concerto Comemorativo ao Centenário de José de Alencar realizado no Estúdio da Radio Sociedade. No ano seguinte registrei o maior número de execuções de peças de Branca: 1)Romance- pela Orquestra da Radio Sociedade do Rio de Janeiro, em 10 de janeiro de 1930. 2) Romance- Pela Orquestra da Radio Sociedade do Rio de Janeiro, em 01 de outubro de 1930. 3) Improviso- Por Mario de Azevedo ao piano, em 08 de outubro de 1930. 4) Bailado Indígena- Por Mario de Azevedo ao piano, em 10 de outubro de 1930. 5) Romance-Pela Orquestra da Radio Sociedade do Rio de Janeiro, em 23 de novembro de 1930. Em 12 de novembro de 1932 Simone Távora interpretou ao piano a composição de Branca intitulada Canto Sertanejo.A partir dessa data nada mais encontrei sobre ela nos jornais. Através do material autobiográfico já mencionado, obtive informações de outras músicas compostas por Branca Bilhar.
Obras para piano:
1)Ensaio de Composição. 2) Primeira Valsa. 3) Dedicação (valsa lenta). 4) Guitarra. 5) Estudo de Concerto. 6)Allegro de Concerto.
Para Canto: 1) Sabiás, sabiás (Romance Brasileiro), poesia do Dr. Luiz Murat. para soprano e piano. Dedicada à D. Nicia Silva. 2)Canção, para tenor. 3) Pour votre Fête(Romance), para soprano.
Canto Sacro: Hino para Joanna D Arc.
Violino ou violoncelo e piano: Canto Triste.
No já mencionado livro de F. Silva Nobre são citadas outras mais composições de Branca: 1) Alaide (valsa de Salão). 2)Serenata Espanhola. 3) No Sertão (Cateretê). 4) As Esmeraldas (com letra de Álvaro Bomílcar da Cunha).
Devo também mencionar a música que Branca dedicou ao seu tio Satyro Bilhar, cujo título não poderia ser outro senão "Ao Violão". A sra. Dirce Parreira gentilmente cedeu-me uma cópia da partitura dessa música, escrita de próprio punho por Branca. Mais tarde descobrí, no acervo de música da Biblioteca Nacional, que esta música foi gravada em 1961 pelo pianista Geraldo Parente no LP Valsas e Serestas, lançado pela Cristal Discos.
Por fim, passo a listar as músicas de Branca, além de "Ao Violão", cujas partituras pertencem ao acervo da Biblioteca Nacional, setor de música:
1)Reminiscência(dedicada ao pianista E. Risler). 2) Improviso. 3)Dedicação (valsa lenta). 4)Bailado Indígena. 5) Allegro de Concerto para Piano. 6) Alaide(Valsa de salão). 7)Samba sertanejo.
O Allegro de Concerto de Branca Bilhar foi gravado por Sylvia Maltese no Cd Mulheres Compositoras França-Brasil, enquanto que o Samba Sertanejo foi gravado por Luciana Soares no Cd Piano Music by Brazilian Women.
Espero sinceramente que esse trabalho sirva de ponto de partida para o estudo da obra de Branca Bilhar e que motive alguem a fazer um registro sonoro da mesma.
Recentemente encontrei no youtube duas peças de Branca Bilhar interpretadas pela excelente pianista Yeldes Machado. Aí vão os links:
Recentemente encontrei no youtube duas peças de Branca Bilhar interpretadas pela excelente pianista Yeldes Machado. Aí vão os links:
1) http://www.youtube.com/watch?v=MmO-4NXG72Q
Alayde (Valsa de Salão).
Referências:
2) Serenata Espanhola.
Referências:
(1) Pasta "Branca Bilhar". Biblioteca Alberto Nepomuceno. Escola Nacional de Música. UFRJ.
(2) Nobre, F. Silva-Verbete "Branca Bilhar", pg 83 em " 1001 Cearenses Notáveis", Ed. Casa do Ceará, Rio de Janeiro, 1996.
(3) Katz, Carlos: Eunice Katunda, Musicista Brasileira-Em Riqueza das Tradições-(texto escrito por Eunice), pg 79- Ed.Fapesp,2001.
(4) Theatros e Música: Os Concursos do Instituto. Jornal do Commercio. Terça-feira, 30 de dezembro de 1913.
(5) Theatros e Musica: Concerto Branca Bilhar. Jornal do Commercio,6 de maio de 1915.
(6) Theatros e Musica: Recital Branca Bilhar. Jornal do Commercio, 9 de maio de 1915. (7) Theatros e Musica: Concerto. Jornal do Commercio. Domingo, 11 de junho de 1916.
(8) Theatros e Musica: Concerto Branca Bilhar. Jornal do Commercio. Quarta-feira, 21 de junho de 1916.
(9) Theatros e Musica: Soirée-concerto. Jornal do Commercio, 8 de dezembro de 1916. (10) Notas Sociaes: Concerto. Jornal do Brasil. Sexta-feira, 24 de novembro de 1916, pg 9.
(11) Katz, Carlos. Op Citt.
(12) Satyro Bilhar revisitado, publicado em http:jorgecarvalhodemello.blogspot.com (13) Palcos e Salões: Branca Bilhar-Jornal do Brasil. Terça-feira,30 de novembro de 1926, pg 12.
(14) Notas Sociaes: Falecimentos-Anna Bilhar. Jornal do Brasil. Terça-feira, 29 de março de 1927, pg 10.
(15) Nobre, F. Silva. Op. Citt.
(16) Registro:Festas. Jornal do Commercio. Sabbado, 4 de junho de 1921, pg 5.
(17) Palcos e Salões-Musica: Concerto Roberto Mario.Jornal do Brasil. Quinta-feira,11 de novembro de 1926,pg 13.
(18) Palcos e Salões. Musica: Concerto Eunice do Monte Lima. Jornal do Brasil. Sabbado, 22 de outubro de 1927.
(19) Radiotelephonia: programma para amanhã. Jornal do Commercio.Domingo, 15 de abril de 1928, pg 21.
(20) Branca Bilhar. Correio da Manhã, 23 de dezembro de 1928.
(21) Kater, Carlos-Op. Citt.
(22) Palcos e Salões. Música: Edouard Risler no Instituto Nacional de Música. Jornal do Brasil. Domindo, 9 de agosto de 1925, pg 12.
(2) Nobre, F. Silva-Verbete "Branca Bilhar", pg 83 em " 1001 Cearenses Notáveis", Ed. Casa do Ceará, Rio de Janeiro, 1996.
(3) Katz, Carlos: Eunice Katunda, Musicista Brasileira-Em Riqueza das Tradições-(texto escrito por Eunice), pg 79- Ed.Fapesp,2001.
(4) Theatros e Música: Os Concursos do Instituto. Jornal do Commercio. Terça-feira, 30 de dezembro de 1913.
(5) Theatros e Musica: Concerto Branca Bilhar. Jornal do Commercio,6 de maio de 1915.
(6) Theatros e Musica: Recital Branca Bilhar. Jornal do Commercio, 9 de maio de 1915. (7) Theatros e Musica: Concerto. Jornal do Commercio. Domingo, 11 de junho de 1916.
(8) Theatros e Musica: Concerto Branca Bilhar. Jornal do Commercio. Quarta-feira, 21 de junho de 1916.
(9) Theatros e Musica: Soirée-concerto. Jornal do Commercio, 8 de dezembro de 1916. (10) Notas Sociaes: Concerto. Jornal do Brasil. Sexta-feira, 24 de novembro de 1916, pg 9.
(11) Katz, Carlos. Op Citt.
(12) Satyro Bilhar revisitado, publicado em http:jorgecarvalhodemello.blogspot.com (13) Palcos e Salões: Branca Bilhar-Jornal do Brasil. Terça-feira,30 de novembro de 1926, pg 12.
(14) Notas Sociaes: Falecimentos-Anna Bilhar. Jornal do Brasil. Terça-feira, 29 de março de 1927, pg 10.
(15) Nobre, F. Silva. Op. Citt.
(16) Registro:Festas. Jornal do Commercio. Sabbado, 4 de junho de 1921, pg 5.
(17) Palcos e Salões-Musica: Concerto Roberto Mario.Jornal do Brasil. Quinta-feira,11 de novembro de 1926,pg 13.
(18) Palcos e Salões. Musica: Concerto Eunice do Monte Lima. Jornal do Brasil. Sabbado, 22 de outubro de 1927.
(19) Radiotelephonia: programma para amanhã. Jornal do Commercio.Domingo, 15 de abril de 1928, pg 21.
(20) Branca Bilhar. Correio da Manhã, 23 de dezembro de 1928.
(21) Kater, Carlos-Op. Citt.
(22) Palcos e Salões. Música: Edouard Risler no Instituto Nacional de Música. Jornal do Brasil. Domindo, 9 de agosto de 1925, pg 12.
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