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domingo, 18 de julho de 2010

DA COR DO PECADO-BORORÓ












DA COR DO PECADO- BORORÓ.
POR JORGE MELLO.

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Algo que sempre me intrigou foi afirmação quase que unânime de que Bororó era compositor de apenas duas músicas: Da Cor do Pecado e Curare. Duas jóias raras com uma construção harmônica bem avançada para a época (1939/1940) e com letras extremamente sensuais. Se bem que essas duas músicas bastassem para consagrar o compositor, eu ficava a me perguntar se a produção musical de Bororó não ultrapassaria marca tão pequena. Ao longo dessa pesquisa deparei-me com questões bem interessantes e não resisti a investigá-las. Resulta disso que o texto saiu bem maior do que eu imaginava, mas espero que seja proveitoso para os interessados na obra desse personagem singular que é Bororó. Foi ele o legítimo sucessor de Satyro Bilhar, por quem nutria profunda admiração, como figura emblemática da boemia carioca.
I) Origem nobre e infância
Alberto de Castro Simoens da Silva nasceu, como ele mesmo conta (1)" numa noite de luar,às 10 horas, no dia 15 de outubro de 1896, no morro de Vila Rica, da rua Real Grandeza, cuja casa ainda se encontra no mesmo local, velha, conservando aquela imponência senhorial do aristocrático Botafogo de outrora. Meu pai tinha o apelido familiar de Sinhozinho, sobrinho neto da Marquesa de Santos e da Baronesa de Sorocaba.Minha mãe Elvira teve origem mais modesta.Sua mãe, a minha avó Elisa era afamada costureira das senhoras da alta aristocracia do Rio. Minha infância foi pobre, cheia de sol, músicas e serenatas". Ele acrescenta que(2)
" A casa em que nascí, em cima do Tunel Velho, ainda está com sua pintura vermelha, sólida e resistente, tal como eu. Foi D. Bibi, amiga de D. Elvira, minha mãe, quem me pôs no mundo, na madrugada do dia 15 de outubro de 1897".
Mais desconcertante ainda é que o autor desta reportagem, o crítico músical Lúcio Rangel, diz logo em seguida: Como num passe de mágica ele exibe incontinente a sua carteira de identidade, conferindo a data que coincidia com a de sua afirmação. Como critério de desempate, fiz uso do depoimento de Alberto concedido ao Museu da Imagem e do Som(3) onde ele afirma que nasceu em 15 de outubro de 1896. O fato dele dizer que seu pai era sobrinho neto da Marquesa de Santos e da Baronesa de Sorocaba chamou-me a atenção. Como a referência a sua origem nobre é algo recorrente nas entrevistas dadas por Alberto de Castro Simoens da Silva (que mais tarde ganhou o apelido de Bororó), procurei examinar essa questão com alguma profundidade. As ruas de Botafogo talvez fornecessem alguma pista, já que a rua Sorocaba poderia estar relacionada a Baronesa de Sorocaba. Após consultar o excelente Dicionário Histórico das Ruas de Botafogo (4) encontrei o seguinte:
"Rua Dona Mariana - Recebeu a confirmação da denominação em sessão da Ilma Câmara Municipal de 30/08/1873. Dona Marianna Delfim Pereira Simoens da Silva, filha dos Barões de Sorocaba, era esposa do Conselheiro Antônio Simoens da Silva, em cuja chácara, então chamada Brocó ou Berqué, foi aberta a rua em 1858.

Rua Delfim
- atual Rua Paulo Barreto, mais conhecido pelo pseudônimo João do Rio, famoso cronista- Aberta em 1858 na chácara de propriedade do Conselheiro Antônio Simoens da Silva, Ministro e Presidente do Superior Tribunal de Justiça da Corte, em homenagem a seu sogro, Boaventura Delfim Pereira, Barão de Sorocaba. Daí o nome de Rua Delfim.

Rua Sorocaba - Homenagem à Baronesa de Sorocaba, D. Maria Benedicta de Castro Canto e Mello, irmã da Marquesa de Santos e esposa de Boaventura Delfim Pereira, Barão de Sorocaba, sogra do Conselheiro Antônio Simoens da Silva, que abriu em 1858 esta rua na sua chácara em honra da sua sogra".

D. Maria Benedicta(N:18/12/1792-M:05/03/1857), a sogra, casou-se com Boaventura Delfim Pereira(N:14/07/1788-M:20/03/1829) em 08 de julho de 1812. Ele foi Superintendente Geral das Quintas e Fazendas Imperiais e Vereador da Câmara e depois agraciado com o título (extensivo à esposa) de Barão de Sorocaba através de decreto datado de 12/10/1826.
Eles tiveram 7 filhos mas registraram 8! Um destes, Rodrigo Delfim Pereira, nascido em 04/11/1823, foi fruto de um romance vivido por Maria Benedicta e o Imperador D. Pedro I. Rodrigo foi reconhecido como filho do Imperador, de forma não oficial, quando este se encontrava no exílio. Cabe dizer que Maria Benedicta era irmã de Domitilia de Castro Canto e Mello, a Marquesa de Santos, célebre amante de D. Pedro I.

O Conselheiro Antônio Simoens da Silva é personagem chave no desvendar de mais um mistério, de modo que me pus a procurar outras informações sobre ele. As datas de nascimento e morte encontrei no site http://www.stm.jus.br/:
"Doutor Antônio Simoens da Silva-Ministro Adjunto do Supremo Tribunal Miltar. Nasceu 06/07/1807 em Conceição da Praia, Bahia e faleceu no Rio de Janeiro em 20/10/1883. Tomou posse no STM em 15/06/1847 e afastou-se em 23/08/1871".

O enterro foi realizado no dia seguinte (5), "saindo o corpo á mão da rua de D. Marianna nº 20 para o Cemitário de S. João Baptista". Em outro jornal do Rio de Janeiro encontrei em notícia de 1ª página mais informações sobre ele(6): Faleceu ontém ás 6 horas da manhã o Conselheiro Antônio Simoens da Silva. Iniciou seus estudos em Ciências Sociais e Jurídicas na Universidade de Coimbra, vindo a concluí-los no Brasil onde foi o primeiro aluno a se formar em nossas academias. Entrou para a magistratura em 1832 na Bahia,
"exercendo diversos cargos tais como Juiz de Direito, Chefe de Polícia nesta corte e naquela província, onde prestou relevantes serviços á causa pública pelas quaes foi agraciado com o título de Conselheiro. Na qualidade de Chefe de Polícia, ainda naquela província, prestou relevantes serviços por ocasião da Sabinada, e nesta corte fez apreender muitos africanos revolucionários, o que mereceu ser mencionado no Livro Azul da Inglaterra".

Marianna e Antônio Simoens da Silva tiveram três filhos: Marianna, Antônio e Carlos, todos com o sobrenome de Delfim Simoens da Silva (7). Consta que Antônio Delfim Simoens da Silva era um excêntrico(8) que colecionava tudo o que podia:
"Sua coleção tinha até múmia egípcia"
, disse Milton Teixeira, Professor de História da Facha. O elo entre Antônio Delfim e o nosso Alberto de Casto Simoens da Silva, o Bororó, encontrei no livro Gente da Madrugada(9), escrito por esse último, na crônica God vesus Devil que assim começa:

" Tratava-se de um velho parente meu, que na intimidade era chamado de seu Antonico. Na realidade o verdadeiro nome desse ilustre personagem era Antônio Delfim Simoens da Silva, com todos os seus enferrujados brasões de vividas ascendências. Esse varão era meu avô paterno".

Ele foi educado na Inglaterra onde teve uma juventude bem inquieta: Foi boxeador, esgrimista e praticava equitação. Era um homem muito inteligente e culto que possuia em sua mansão na rua Visconde Silva um verdadeiro museu onde aos domingos oferecia almoços memoráveis aos seus amigos ingleses. Consta (informação ainda sujeita a confirmação) que parte de seu acervo foi incorporado ao Museu da Cidade. Ele possuia o título de Comendador e viveu até os 75 anos de idade. Faleceu em 06 de agosto de 1918, saindo o féretro de sua residência à rua Visconde Silva nº 111, para o cemitério de São João Baptista. Casou-se com D. Amélia Pinto e dessa união tiveram dois filhos: Antônio Carlos Simoens da Silva e Alberto Simoens da Silva cujos apelidos eram, respectivamente, Nhonhô e Sinhozinho.
De acordo com entrevista concedida por Bororó ao Pasquim em abril de 1972(10), seu tio Antônio Carlos Simoens da Silva
"era um homem de letras que muito honrou o Brasil, tendo feito conferências pelo mundo todo. Tinha uma coleção maravilhosa de raridades e era um homem inteligente, com uma cultura muito profunda".

Nhonhô possui um curriculo respeitável, com pelo menos 16 trabalhos entre livros e artigos científicos publicados no Brasil e no exterior. A título de curiosidade, citarei alguns:

i) Pontos de Contato das Civilizações prehistóricas do Brasil e da Argentina com os paises da costa do Pacífico"- Trabalho apresentado ( em ingles) no XVIII Congresso Internacional de Americanistas em Londres, 1912.

ii) Viagens ethnográficas Sul Americanas: Argentina/Bolívia. Imprensa Nacional 1921.

iii)Viagens aos Estados Unidos da América, Colombia Brutânica, Território do Alaska e Archipelagos do Hawai, de 1914 á 1916 e 1928 à 1929 em missões scientíficas de carater oficial, do governo do Brasil perante os Congressos Internacionais de Americanistas e Pan Americanistas- Imprensa Nacional. 1930

iv) A Tribo dos Índios Krenak (Botocudos do Rio Doce). Anais do XX Cogresso Internacional de Americanistas, realizado no Rio de Janeiro, do qual foi presidente.

Consta que Antônio Carlos nasceu em 1871 e faleceu em 1948(informação sujeita à confirmação). Já Alberto Simoens da Silva tem um currículo que aponta no sentido oposto ao do irmão. Bororó assim se referiu a ele na já mencionada entrevista ao Pasquim:
" Meu pai era o boêmio. Nunca trabalhou!".

Contando com Bororó, eram 8 os filhos do casal Elvira e Alberto...pelo tipo de vida que este levava é possível entender porquê a infância de Bororó ter sido pobre, a despeito de sua origem nobre. A definição de boêmio dada pelo próprio Bororó (11) se encaixa como luva no perfil de seu pai:
" O verdadeiro boêmio não tem preocupação financeira. Deve ter um fígado resistente aos embates alcoólicos. Em compensação é ele quem traz, dentro de sí, a mensagem da poesia e da música. A boemia é um privilégio que as musas concedem aos grandes eleitos da arte".

Ainda naquela matéria Albino Pinheiro, um dos entrevistadores de O Pasquim, assim se pronunciou:
"A infância de Bororó foi ouvindo Lundú, foi ouvindo toda a estrutura básica da música popular brasileira. O pai dele foi um camarada chamado Sinhozinho, que deixou um acervo de peças satíricas maravilhosas".

Infância pobre a de Bororó, mas com muita música...música essa trazida pelas cordas do excelente violonista que era seu pai e da voz afinada de sua mãe.

II) A origem do apelido e as primeiras incursões na Lapa
Dentre as várias versões existentes sobre a origem do apelido Bororó dado a Alberto de Castro Simoens da Silva a que me pareceu mais coerente foi a de autoria de Jota Efegê (12):
"Quando em 1908 a intrépida professora Leolinda Daltro levou ao museu particular do Professor Antônio Carlos Simoens da Silva (Nhonhô) dois índios que trouxera da tribo dos Boróros, os exóticos visitantes impressionaram o menino Alberto (12 anos). Por isso no dia seguinte, na aula de história do Externato Santo Ignácio do qual o menino era aluno, ao ser arguido pelo professor, o Padre Crespo, achou ser prova de sapiência aludir aos silvículas que vira na casa do tio. Começou então muito solene: Os índios Bororós são...Rápido no zêlo de um verdadeiro mestre escola, veio a corrigenda do Padre Crespo: Que é isso, menino? Não se diz Bororó! É Boróro, Boróro...Gritou bem alto, deixando marcada a tônica na segunda sílaba. Desde esse momento o menino Alberto passou a ser o Bororó, a despeito das broncas e tudo quanto fez para repelir a alcunha, inclusive as brigas corporais".

Ainda aos 12 anos vestiu sua primeira fantasia de clóvis (termo originado da palavra inglesa clown, que significa palhaço) e conheceu o carnaval de Botafogo saindo nos ranchos Caprichosos da Estôpa e Mimosas Cravinas(13).
Do Externato Santo Ignácio Bororó foi para o Colégio Santo Alberto que ficava perto da Lapa(14), reduto da boemia e da malandragem, para onde foi aos 15 anos em companhia de Henriquinho de Mello Moraes (tio de Vinicius de Moraes)(15).
Em 1918 foi apresentado a Catulo da Paixão Cearense pelo então jovem violonista Rogério Guimarães, seu grande amigo a quem carinhosamente chamava de Esquerdinha pelo fato de ser canhoto. Nutria grande admiração por Catulo, a quem considerava um dos maiores poetas brasileiros. No depoimento que deu ao Museu da Imagem e do Som em Bororó contou um episódio triste vivido com Catulo, que vivia sempre precisando de dinheiro(16). Pouco antes de sua morte Catulo lhe pediu emprestado uma razoável quantia em dinheiro para pagar a gravação de seus últimos versos. Como não dispunha de tal quantia, Bororó procurou consegui-la através do deputado Gustavo Capanema, mas este alegou falta de verbas, o que fez com que
"Catulo levasse para o túmulo cento e tantas canções belíssimas".
Logo após a morte do grande poeta sertanejo, foi publicada(17) uma carta de Bororó
"para ser entregue onde estiver o cantor de Um Boêmio no Céu".
Nesta carta o autor pede que Catulo dê notícias dos amigos comuns que lá estão assim como algumas recomendações:
"Olha! precisas acabar com esta besteira de continuares brigado com o João Pernambuco, pois foste, realmente o melhor amigo dele...Vamos, apertem as mãos e se abracem de uma vez e dêem por terminado esse disse-me-disse".

III) O boêmio em sua plenitude
Bororó conviveu com os violonistas
João Pernambuco, Satyro Bilhar, Quincas Laranjeiras, Mozart Araujo e com Agustin Barrios
quando de suas visitas ao Rio de Janeiro nas noites da Lapa e na casa Cavaquinho de Ouro.
Pixinguinha, Donga, João da Bahiana, Noel Rosa, Sinhô, Ary Barroso, Custódio Mesquita, Luperce Miranda, José Rebello da Silva (Zé Cavaquinho), Patrício Teixeira, Índio das Neves, José Luis de Morais (Caninha) enfim...Uma legião de músicos e amigos das noites de boemia na animada Lapa daquela época.

Bororó participou como músico em alguns conjuntos. Temos notícia de dois: O primeiro formado por ele, Carlinhos Santos Cruz (Pelica), Eudóxio Correia(Pepé, o pneumático furado) e Fernandinho Albuquerque(Cebolinha) apresentava-se em festas e fazia serenatas em Botafogo e na Gávea(18).Pelica era um bandolinista extraordinário, um chorão maravilhoso. Pepé, um exímio violinista e Cebolinha, um ótimo cantor e um dos melhores centros de cavaquinho conhecido no meio dos chorões. Bororó era, como ele mesmo se classificou,
"um violão sofrível, mas certinho no acompanhamento".
O outro conjunto(19), que se apresentava em espetáculos musicais, era formado por ele, Glauco Vianna, Noel Rosa e João Baptista Nogueira (pai do cantor e compositor João Nogueira).
Ele participou de animadas serestas que iam madrugada a dentro no bairro da Gávea, com seu irmão Oswaldo Simoens, o violonista Rogério Guimarães e Henrique de Mello Moraes, sobrinho do famoso folclorista Mello Moraes Filho.

Credita-se a Bororó a descoberta de alguns valores da nossa música popular.
A mais importante foi, sem dúvida, a de Orlando Silva que assim ocorreu(20): Ao entrar, numa tarde, no estúdio da Rádio Cajutí, Bororó se deparou com um rapaz que estava chorando. Aproximou-se do rapaz e perguntou-lhe a razão do choro, ao que este respondeu que não lhe deram a chance de cantar na rádio. Bororó então pediu que o rapaz cantasse algo, ali mesmo, para ele. Quando o rapaz começou a cantar uma modinha de Índio das Neves, Bororó entusiasmou-se e partiu com ele para o Café Nice onde estavam Francisco Alves, Nássara, Cristóvão de Alencar e o poeta Orestes Barbosa. Chico Alves relutou, de início, em ouvir o rapaz cantar, mas Bororó o convenceu a escutar ao menos uma canção e lá foram eles para a Avenida Chile, onde estava estacionado o carro do Rei da Voz. Bororó então deixou os dois ali e foi até Copacabana, onde tinha um compromisso. Ao regressar, horas depois, Bororó viu Chico Alves, maravilhado, ainda ouvindo aquele rapaz cantar." Ele é notável, vai cantar no meu programa amanhã mesmo", disse Chico Alves abraçando Bororó. Também descobertos por ele foram o cantor Carlos Galhardo e o compositor Kid Pepe, cujo maior sucesso foi a música, em parceria com Noel Rosa, O Orvalho Vem Caindo.

É provável que a imagem mais perfeita daquela Lapa vivida por Bororó esteja em seu poema A LAPA EM 41 QUADRAS, do qual transcreveremos algumas:
"Lapa! Berço de amores e de orgias!
Bairro de alegre popularidade
Teu passado revive em nossos dias
Na tela comovente da saudade.

E os Arcos, monumento de beleza
Que o Conde Bobadela construiu
Vimos morrer a Lapa com tristeza
mas a histórica obra resistiu.

Ruas escuras, lampiões na esquina
Pensões alegres, prostituição
Onde imperava D. Cocaína
A coqueluche de uma geração.

Os cabaretiers, sempre a animar
Max Darly, Gus Brown e outros mais
"é bom que as vacas não sabem voar"
Glosava o gordo Julio de Morais.

Concursos de maxixes eram freqüentes
E a peso de ouro disputados
Fenianos, Democráticos e Tenentes
Tinham que ser ali representados.

De voz sonora e privilegiada
Surge Chico Alves, o seresteiro
E a Lapa em tantos versos decantada
Em discos percorria o mundo inteiro.

Maestros de valor compondo "o fino"
Nos velhos choros de primeira linha
"Cristo nasceu na Bahia", de Cirino
E o célebre "Urubú" de Pixinguinha.

Boêmios que ficaram nos anais
Iam de cabaré em cabaré
Rios, Pachá, Fragoso, Hugo Novais
Quininho, Braz, Mendonça, Jacaré.

O Di, com Jaime Ovalle a noite inteira
A tela dando o braço ao violão
Ouvindo os versos de Manuel Bandeira
No beco onde nascia a inspiração.

Lapa da boemia da cidade
Lapa que não nos foge da memória
Nesse preito de amor, nossa saudade
Cantou, em rimas, tua velha história."
A Lapa de 1915 à 1935, depois a Cinelândia e por fim Leme foram os lugares preferidos deste que foi um verdadeiro símbolo da boemia: Bororó.
Em 1931, contando já 35 anos, Bororó arranjou um emprego no Supremo Tribunal de Justiça onde permaneceu até se aposentar como Oficial de Justiça.
Antes disso, como um autêntico boêmio, " vivia de expedientes. Comprava uma casa e vendia. Títulos e ações, vendas de carro, tudo era negócio e, se fazia 100 mil reis por dia, não mais trabalhava. Foi a única época em que tive dinheiro. Tinha então 33 anos" (21).
Antes disso, atuava como uma espécie de despachante, que cuidava de papeis alheios na Prefeitura e também como jogador fictício de roleta ou bacará: fingia jogar para atrair os frequentadores das casas e recebia a correspondência a 20 cruzeiros que era totalmente gasto na noite (22). Ele conta que saia religiosamente todas as noites e voltava às três, quatro horas da manhã. Ainda assim cumpria sua rotina de trabalho, das sete da manhã às quatro da tarde (23). Numa entrevista sua concedida ao Jornal do Brasil e publicada em 23 de março de 1977(24), Bororó afirmou estar casado com D. Maria Jesus há 57 anos, o que significa ter ele casado aos 20 anos de idade! Sem dúvida alguma trata-se de uma informação que deve ser checada...mesmo sendo a fonte o próprio Bororó. Deste casamento tiveram apenas uma filha chamada Regina, que ficou morando e cuidando do pai até o final. Ele morava num apartamento próprio no Leme e tinha outro alugado, e sua fonte de renda era proveniente de sua aposentadoria, já que o dinheiro vindo dos direitos autorais recebidos por músicas que foram gravadas inúmeras vezes, como Curare e Da Cor do Pecado, era muito pouco. De sua vida artística, duas grandes queixas:
A primeira é que nunca foi convidado para gravar um disco com suas músicas. A outra refere-se ao descaso das editoras para com sua obra literária.

Dos seus cinco livros apenas um foi publicado pouco antes de sua morte, Gente da Madrugada. Os outros, que permanecem inéditos, são:
Café Rio Branco, Serenatas, Poemas do Botequim e A História da Gávea em Versos.
É realmente lamentável que não se tenha gravado um cd com a obra de Bororó, assim como o relançamento de seu único livro publicado. Os outros livros talvez estejam irremediavelmente perdidos. Lembro de uma deliciosa crônica de Carlos Drummond de Andrade (25) em que narra o desejo de Bororó em lhe entregar um livro que nunca aparecia. Mas,
" e não é que ele me entrega, num sábado, vasto caderno colorido, com seus poemas- o livro inédito a que esqueceu de dar o título? Ou achou que não valia a pena quebrar a cabeça nessa coisa difícil que é dar nome a livro? Realmente, basta escrever apenas na capa: Bororó. Quem conhece Bororó sabe como há de ser sua poesia".

Seu depoimento foi gravado no Museu da Imagem e do Som (MIS-RJ) em 03 de novembro de 1966, sendo a mesa presidida por Ricardo Cravo Albin na qualidade de diretor do museu e composta por Mozart Araújo, Ilmar Carvalho e Ary Vasconcelos. Este depoimento está disponível para consulta no MIS RJ, sede da Lapa, e mereceu na época destaque na imprensa (26).

Em 31 de maio do ano seguinte o grande cronista Jota Efegê reuniu intelectuais, artistas, jornalistas, todos enfim que conheceram a velha Lapa para homenagear Bororó, símbolo da boemia daquela época. Tal homenagem se deu no clube Tenentes do Diabo na rua Visconde de Manguarape(27). Presentes estavam
Pixinguinha, Donga, João da Bahiana, Bide, Mirinho, Grande Otelo, Paschoal Carlos Magno dentre outros.
Na verdade a velha Lapa era a grande homenageada, na figura de seu representante máximo, e todos alí deploravam a situação em que o bairro se encontrava, com muitas casas sendo demolidas e outras caindo aos pedaços, sem que nenhum esforço fosse feito pelas autoridades no sentido de preservar aqueles lugares históricos. Na Sala Corpo e Som do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro Bororó e o então iniciante Conjunto Galo Preto apresentaram-se em temporada de 30 de abril até 04 de maio de 1977.

No show intitulado Galo Preto apresenta Bororó, que teve roteiro, produção e direção de Simon Curi, o compositor conta detalhes de sua vida artística começada na Lapa. Eles apresentam algumas músicas de Bororó como
Tarde Nublada(em parceria com Henrique de Mello Moraes), Regina( valsa dedicada à sua filha), Curare, Rua Vazia( em parceria com Lia Roquette Pinto), Canoeira(em parceria com Rubem Braga), Mulatinha, A Bahia tem Tradição e Da Cor do Pecado. Músicas de Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Villa Lobos, interpretadas pelo Galo Preto completaram o show, que teve grande êxito e boa repercussão na imprensa.
Bororó faleceu em 07/06/1986, um pouco antes de completar 90 anos, uma verdadeira proeza para alguém que levou uma vida de intensa boemia.

Sua música A cor do Pecado serviu de tema e emprestou seu nome a uma novela passada na Tv Globo em 2004.
A cantora Rosa Passos lançou um cd com o título de outro sucesso musical de Bororó: Curare. A Rádio IMS (Instituto Moreira Salles) prestou, em 07/06/2007, significativa homenagem
" ao compositor e violonista carioca Bororó"
disponibilizando 10 de suas músicas em gravações originais:
Canção do Estudante; Curare; Da cor do pecado; Sempre esperei por você; Leviana; O que é que é?; Moreninha, Dissimulada, Nós dois a sonhar e Subúrbio.
No cd Entrecordas da cantora Zezé Gonzaga aparece um Tributo a Bororó, que foi extraído do programa "A Lira do Povo" exibido pela TVE entre 1983 e 1984. Por tudo o que fez e que ainda representa para a nossa música popular, Bororó merece ainda mais homenagens.
IV) Musicografia de Bororó
Na elaboração desta musicografia fiz uso das seguintes fontes:(i) Instituto Memória Musical;(ii) Fundação Joaquim Nabuco;(iii) Discografia Brasileira 78 (Nirez);(iv) Discos do Brasil.(v) "Radamés Gnattali, o eterno experimentador". Valdinha Barbosa e Anne Marie Devos. 1978. Funarte. (vi) Acervo de partituras do MIS-RJ.
1) Abandono do meu Lar - parceria: Evágrio Lopes "Aregivo". Intéprete: Jamelão. LP Continental( )-Jamelão -1970
2) Angústia - Samba canção apresentado por Heleninha Costa no programa Pausa que Refresca, da Rádio Nacional - Partitura Acervo MIS.
3) Avante Mineiros - partitura acervo MIS
4) A Bahia Tem Tradição - interpretada pelo autor no Show Galo Preto apresenta Bororó
5) Canção do Estudante - marcha - Gravada em 29/09/1942 por Morais Neto com Fon Fon e sua Orquestra. Odeon(12.224-4)
6) Canoeiro - toada - parceria com Rubem Braga. Gravada por Tais acompanhada de conjunto. 78 RPM Copacabana (6.012-a), lançado em 1959.
7) Curare - choro. Gravado (i) em 14/08/1940 por Orlando Silva acompanhado por orquestra.78 Rpm Victor(34.667-a).(ii) pelo Trio Surdina (2ª formação).LP Musidisc lançado em 1955.(iii) por Nelson Gonçalves acompanhado por orquestra em 08/11/1951. 78 RPM RCA Victor (80.0002-a). Esta música também foi gravada por Gaó, João Gilberto e Rosa Passos (o título do seu cd é o nome dessa música) dentre outros.
De acordo com Bororó,
"esta música foi inspirada numa morena que cruzou o meu caminho e o de Evágrio Lopes" (Regional Galo Preto apresenta Bororó. Veja referências).
Em outra ocasião(Bororó Grava Para Museu a história da boemia na Lapa-veja referências) ele disse que numa madrugada boêmia conheceu uma mulher linda e procurou conversar com ela, marcando um encontro para o dia seguinte, quando foram ao teatro. Nasceu então uma grande paixão qie inspirou a música.

8) Cidade Baixa - samba - apresentado no programa Um Milhão de Melodias, da Rádio Nacional.
9) Da Cor do Pecado - choro. Gravado por Silvio Caldas acompanhado por regional em 06/07/1939.78 RPM Victor( 34.485-b).
Posteriormente esta música teve inúmeras gravaçoes, dentre elas as feitas por João Gilberto, Elis Regina, Ney Matogrosso, Luiz Bonfá, Paulinho Nogueira, Marco Pereira e Ulisses Rocha, jacob do Bandolim, Wagner Tiso e Trio da Paz.
Sobre a musa inspiradora desta música o próprio Bororó apresenta duas versões que são complementares:(i)(Bororó, 87 anos. Como no tempo em que fazia misérias-ver referências). Ele compôs a música numa carteira de colégio-tinha ido buscar a filha Regina - nspirada numa mulher de vida pregressa não recomendada, cujo nome é Felicidade, que trabalhava em frente ao Tribunal de Justiça e foi apresentada a Bororó por Jaime Távora.
"Eu cantava muito bem-disse Bororó- fazia versos bonitos e ficou uma dose de simpatia recóproca. Mudei a vida dela, pus nos eixos.Saíamos muito,ficamos uns cinco ou seis anos juntos, até que se casou com um médico. Um dia, Felicidade foi a paquetá e apanhou uma gripe que a levou à morte".
(ii) (Inspiradora é segredo que Bororó não revela-veja referências). Aquí é diro que esta músuca nasceu nim café que ficava na esquina das ruas da Glória e benjamim Constant, onde estavam ele, Mozart Araújo e Custódio Mesquita. Dusse Bororó:" A inspiradora, que mais tarde me foi apresentada,entrou no bar para comprar qualquer coisa e logo sua figura impressionou-me vivamente. Compus o Da Cor do Pecado quase de um só fôlego".
10) Dissimulada - choro - Parceria com Laurindo Almeida.Gravado em 13/05/1946 por Orlando Silva e Brazilian Serenaders-78 RPM Odeon( 12.706-b).
11) Falso Pudor - Parceria com Evágrio Lopes "Aregivo". Gravado em 1961 por Abílio Lessa no LP "Quando canta o trovador"
12) Gostoso - choro - Interpretado por Nuno Roland com a Orquestra Brasileira de Radamés Gnattali no programa Um Milhão de Melodias, da Rádio Nacional.
13) Tarde Nublada - Parceria com Henrique de Mello Moraes - show Galo Preto apresenta Bororó.
14) Hino da Escola de Educação Física do Exército - parceria com Dino Ferreira. Gravado pelo coro da Escola de Educação Física acompanhado por orquestra. 78 RPM Continental (16 817-b) lançado em julho de 1953.
15) Hino da Faculdade Nacional de Filosofia - parceria com Alcides Pinto. Gravado pelo coro da Faculdade Nacional acompanhado por orquestra. 78 RPM Continental(16817-a) lançado em julho de 1953.
16) Isto é Amor - Gravado por Zezé Gonzaga-Cd Entrecordas.2007.

17) Leviana - bolero. Gravado pelo conjunto Os Cariocas em 04/07/1952. 78 RPM Rca Victor(80-0979-a)
18) Maria Jesus dos Anjos - Radamés Gnattali. Sobre essa música temos a seguinte informação
("Bororó, aos 80 anos ainda é boêmio" O Globo,30/04/1977)
dada pelo próprio Bororó:" Agora está saindo um Lp pela SOM LIVRE com um poema meu-Maria Jesus dos Anjos-falado por Milton Gonçalves e músicas minhas e de Radamés Gnattali, com Orquestra Sinfônica". O Maestro Radamés Gnattali concluiu:
"Esse trabalho saiu pela Globo no Natal do ano passado como brinde, e agora resolveram lançar o disco comercialmente.É um documento importante, de um compositor e figura que tem muito significado, meu amigo Bororó".

19) Mulatinha - choro - Interpretado por Nuno Roland acompanhado pela Orquestra Brasileira de RadamésGnattali no programa Um Milhão de Melodias da Rádio Nacional. Interpretado por Zezé Gonzaga no cd Entrecordas, lançado em 2007.

20) Moreninha - choro - gravado por (i)Orlando Silva acompanhado por regional. 78 RPM Copacabana(C-099-b), lançado em agosto de 1952.(ii) Carlos Galhardo, no Lp Parabéns a mim por ter você, lançado em 1978.

21)Maus Tratos - samba. Parceria com Dino Ferreira. Gravado por Elizeth Cardoso acompanhada por conjunto, em 01/04/1952. 78 RPM Todamérica (TA-5.147-b).

22) Na Ilusão de Ser Feliz. parceria com Evágrio Lopes "Aregivo". Gravado por Jamelão- Lp Jamelão, Continental ( ) lançado em 1970.

23) Noite Feliz - Partitura acervo MIS.

24) Não Sobra um Pedaço-chorinho - Parceria com Evágrio Lopes "Aregivo". Gravado por Zezinho, acompanhado por Vadico e seu Regional. 78 RPM Continental (17.188-b) lançado em 1955.

25) Nós Dois a Sonhar - fox - Parceria com Henrique de Mello Moraes. Gravado em 05/03/1942 por Newton Teixeira acompanhado pela Orquestra Odeon do Maestro Fon Fon. 78 RPM Odeon (12.145-b).

26) O que é que é? - samba - Parceria com Evágrio Lopes "Aregivo".
Apresentado por Orlando Siva acompanhado pela Orquestra Brasileira de Radamés Gnattali no programa Um Milhão de Melodias da Rádio Nacional. Partitura acervo MIS. Gravações em discos:(i) Silvio Caldas acompanhado por regional em 18/05/1943. 78 RPM Rca Victor(80-0106-a).(ii) Marisa acompanhada por Moacir Silva e seu Conjunto. 78 RPM Copacabana(5.912-b) lançado em 1958. (iii) Roberto Silva. Lp Saudade em Forma de Samba, lançado em 1966.(iv) Pierre Kolman (Britinho) e Sua Orquestra. Lp Novamente, lançado em 1958. (v) Miucha e João Gilberto. Lp Miucha, lançado em 1980.


27) O Rei mandou Castigar - samba - Apresentado por Alberto Fortuna acompanhado Pela Orquestra Brasileira de Radamés Gnattali. Partitura acervo MIS.

28) Oásis do Amor - bolero - Parceria com Evágrio Lopes "Aregivo". Gravado por Taís acompanhada por conjunto. 78 RPM Copacabana (6.012-b), lançado em 1959.

29) O Nosso Amor teve Fim - samba - Parceria com Dino Ferreira. Gravado em 22/01/1952 por Marion acompanhada por conjunto. 78 RPM Todamérica(TA-5.147-b).

30) Respeito Vila Isabe l - samba - Gravado por Dora Camargo acompanhada por Severino Araújo e sua Orquestra. 78 RPM Continental(17.382-a), lançado em janeiro de 1957.

31) Regina - valsa - Interpretada pelo autor no show Galo Preto apresenta Bororó.

32) Rua Vazia - Parceria com Lia Roquette Pinto. Interpretada pelo autor no show Galo Preto apresenta Bororó.
33) Saara-bolero - Gravado por Renata Fronzi-Lp No Mundo do Bolero, Vol 1., lançado em 1955.

34) Sempre Esperei por Você - samba canção.Gravado em 04/08/1949 pelo Quarteto Continental. &8 RPM Continental (16.084-a)

35) Sorte é pra quem tem (Basta um Olhar). Gravado por Edú da Gaita. LP Uma Gaita para Milhões, lançado em 1959.

36) Só pra Você-choro - Apresentada por Silvio Caldas acompanhado pela Orquestra Brasileira de Radamés Gnattali no programa Um Milhão de Melodias da Rádio Nacional. Partitura acervo MIS.

37) Sapatinho - samba canção - Parceria com Marino Pinto. Gravado em 06/09/1952 por Jorge Goulart acompanhado por Vero (Radamés Gnattali) e Sua Orquestra. 78 RPM Continental(16.658-a)

38)Subúrbio-choro - Parceria com Luiz Peixoto. Apresentado por Orlando Silva no Programa Casa Garçon, da Rádio Nacional. Partitura acervo MIS. Gravado por Orlando Silva em 27/07/1956.78 RPM Odeon(25 186).

39) Serpenteia maldosa - choro. Apresentado por Nono Rolando acompanhado pela Orquestra Brasileira de Radamés Gnattali no programa Um Milhão de Melodias da Rádio Nacional. Partitura acervo MIS.

40) Sublime Tortura. Gravação em discos: (i)Nara Leão. Lp Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim, lançado em 1984. (i) Miucha e Tom Jobim. Lp de mesmo nome, lançado em 1979.

41) Tú foste um sonho - samba canção. Parceria com Carlinhos Muller. Gravado por Taís acompanhada pela Orquestra Internacional e Coro. 78 RPM CID (1.001-a), lançado em 1961.

42) Tú e você-choro - Apresentado por Nuno Roland acompanhado pela Orquestra Brasileira de Radamés Gnattali no programa Um Milhão de Melodias, da Rádio Nacional. Partitura acervo Mis.

43) Tarde Nublada - parceria com Henrique de Mello Moraes. Interpretada pelo autor no show Galo Preto apresenta Bororó.

44) Um Gostoso Jeitinho. Gravado por Zé Maria(organista) no LP Zé Maria no Forno & Fogão, lançado em 1973.

45) Vai subir o meu balão-samba. Parceria com Dino Ferreira. Gravado por Roberto Paiva acompanhado por conjunto e coro. 78 RPM Sinter (00.00.155-a), lançado em 1952.

46) Vou me Benzer - samba. Gravado em fevereiro de 1959 por Dinorah acompanhada por conjunto. 78 RPM Continental (17.665-a).

Na Sala Mozart Araujo, da Biblioteca do Centro Cultural Banco do Brasil, encontrei vários poemas de Bororó escritos de próprio punho. Talvez eles se destinassem a outras composições dele...Infelizmente não encontrei nenhuma partitura.
Algumas das músicas citadas acima foram apresentadas somente no show de Bororó com o Galo Preto, não existindo nenhum outro registro das mesmas. Passados mais de trinta anos, será que os remanescentes daquela formação do Galo Preto como Afonso Machado e José Maria Braga possuem ainda tais partituras?
Visitando recentemente o Museu da Imagem e do Som, Praça XV, descobrí mais duas músicas de Bororó, ambas com partitura:
*Feitiçaria
** Tira-tira- marcha em parceria com Ernesto Santos (Donga).

REFERÊNCIAS:

1) Manuscrito Bororó. Hemeroteca MIS-RJ, Praca XV.
2) "Bororó: cinquenta anos de boemia e de música popular". Reportagem de Lúcio Rangel. Recorte encontrado na Hemeroteca MIS-RJ. Praça XV
3) Depoimento de Bororó ao MIS-RJ em 03/11/1966.
4) "Dicionário Histórico das Ruas de Botafogo". Paulo Berger.1987. Fundação Casa de Rui Barbosa.
5) Jornal do Commercio.21/10/1883.
6) Gazeta de Notícias - 21/10/1883
7) Genealogia familiar de Sergio Enio Boratto.
8) "Você jura que sabe quem foi São Clemente, Dona Mariana e essa tal de Bambina?" http://www.facha.edu.br/
9)"Gente da Madrugada" Alberto de Castro Simoens da Silva. Editora Guavira, 1982.

10) O Pasquim.abril de 1972.
11)" Bororó, doente, relembra a boemia". Artigo de Magda de Almeida-Recorte encontrado na hemeroteca do MIS-RJ, Praça XV.

12) "Bororó, poeta boêmio, glorifica e mantém viva a Lapa tradicional". Jota Efegê. O Jornal, 02/04/1967.
13) "Bororó: Carnaval é sangue do povo". Correio da Manhã, 03/02/1970.

14) "Instala-se no MAM a velha Lapa de alto respeito".Jornal do Brasil. Caderno B, 23/03/1977

15) "Bororó -20 anos de Lapa numa noite". Jornal do Brasil. Caderno B, 23/03/1967.

16) "Bororó grava para Museu a história da boemia na Lapa". Correio da Manhã, 04/11/1966.

17) "De Bororó a Catulo". Crônica de Bororó publicada no jornal A Manhã, em 31/05/1946.

18) "Gente da madrugada", op. citt.
19) "Noel Rosa, uma biografia". João Máximo e Carlos Didier. Ed. UNB, 1990. Pg 113.
20) " Bororó grava para museu...". Op. citt.
21) " Bororó, 20 anos de Lapa...". Op. citt.
22) "Regional Galo Preto apresenta Bororó (antes de tudo, um grande boêmio)". O Globo, 26/03/1977.
23) " Bororó, 87 anos: como nos tempos em que fazia misérias". Artigo de Mara Caballero. Recorte encontrado na hemeroteca do MIS-RJ, Praça XV.

24) "Instala-se no MAM..." Op. citt.
25) "Bororó, na moldura da Lapa". Crônica de Carlos Drummond de Andrade. Jornal do Brasil. Caderno B, 25/07/1978.
26) "Inspiradora é segredo que Bororó não revela". O Globo, 04/11/1966.

27) -"Lapa despede-se de Bororó, o jovem boêmio de 70 anos". Globo,01/04/1967.

-"Bororó, 20 anos de Lapa...". Op. citt.

6 comentários:

Adua Nesi disse...

Valeu amigo Jorge. Bororó merece.
Faça uma revisão na digitalização.
Abraço.
Adua

thiago mello disse...

Olá Jorge! Parabéns pelo espaço, confesso que eu não conhecia e foi uma grata surpresa! Um grande abraço!

Adua Nesi disse...

Oi amigo Jorge, acabou q, eu mesma, escrevi digitalização no lugar de digitação kkkk... Abraço.

jorge mello disse...

Muito obrigado Thiago!
Os comentários são sempre muito bem vindos
Agraços, Jorge

jorge mello disse...

Oi Adua!
Ogrigado pela dica.
Vou postar um artigo sobre o Mello Moraes Filho e outro sobre João Pernambuco e a identidade nacional.
Abs, Jorge.

Demerval disse...

Parabéns Jorge por seu cuidado com a arte, essa é uma missão confiada a poucos.
Caso goste também de poesias, algumas com conteúdo filosófico; peço a gentileza de entrar nesse endereço e apreciar.
http://www.poesias.omelhordaweb.com.br/pagina_autor.php?cdEscritor=3729&cdPoesia=70901
Um forte abraço mineiro de:
Demerval/Uberlandia-MG