JOÃO PERNAMBUCO: UM OLHAR SOBRE SUA OBRA.
(Artigo publicado originalmente em http://www.chiquinhagonzaga.com/ em 2004)
Por Jorge Mello.
1º) Um breve perfil
João Teixeira Guimarães nasceu em Jatobá, sertão pernambucano, no dia 02 denovembro de 1883. Seus pais foram Manoel Teixeira Guimarães e Tereza Vieira e João era o terceiro dentre os onze filhos do casal. Com a morte do sr. Manoel, sua mãe casou-se com Eugênio Alves Mendes com quem viria a ter outros onze filhos. Buscando uma vida melhor, partiram todos para Recife, onde foram morar no bairro da Torre.
Ao mesmo tempo em que, seguindo os passos de seu irmão José, aprende o ofício de ferreiro, João participa também de animadas reuniões de cantadores, violeiros e repentistas no Mercado de São Pedro. Os cantadores Ugulino de Teixeira, Romano da Mãe D'Água, Inácio da Catingueira, Mane do Riachão e os violeiros Manoel Cabeceira, Cirino da Guajurema, Bem-te-ví, Mandapolão, Serrador, Cego Sinfrônio e Falcão das Queimadas foram grandes mestres da tradição nordestina e muito contribuíram à formação de sua personalidade artística.
Um passo maior foi dado por João quando decidiu morar no Rio de Janeiro, então capital da República, e onde já se encontravam seus irmãos José e Maria. Chegou então em 1904, aos vinte anos de idade com seu violão, uma muda de roupas e muitos sonhos. Mesmo trabalhando pesado como ferreiro em jornadas de até dezesseis horas diárias, encontrava João sempre algum tempo para tocar violão e falar de sua terra para os amigos em número sempre crescente. Daí o apelido com que ficou conhecido e que o acompanhou pelo resto de sua vida: João Pernambuco. A partir de 1908 passa a trabalhar como calceteiro de ruas, as mãos ainda sofrendo com as marretadas, mas com um salário maior e uma jornada de trabalho menor, o que lhe permitia uma maior dedicação às rodas de choro e ao violão. Começa então sua vida artística propriamente dita justamente neste ano em que o violão, considerado por muitos como um instrumento de desocupados, entra nos salões do austero Instituto Nacional de Música. Levado pelas mãos de Catulo da Paixão Cearense, Quincas Laranjeiras, Zé Cavaquinho e Ernani Figueiredo, teve o violão seu dia de glória no dia cinco de julho deste ano num Concerto que alcançou um enorme sucesso.
João Pernambuco foi realmente um tipaço, muito bem descrito na galeria de perfis da Revista do Violão, dezembro de 1929: "...É dono de um grande coração( não fosse ele poeta), além de ser uma alma infantil acomodada naquele corpanzil de atleta...". Ao longo de sua vida ele exerceu funções modestas, como as de ferreiro, calceteiro, servente (no Pedagogium, que ficava na rua do Passeio) e contínuo, função exercida na Superintendência de Educação Musical e Artística a partir de 1934, a convite de seu amigo Villa-Lobos. Este inclusive foi muito criticado por esta atitude: "...torna-se inconcebível que o maestro Villa-Lobos convide o mestre João Pernambuco para exercer a função de contínuo dentro de um órgão que tinha como objeto central a música..."( Ver " João Pernambuco.Arte de um povo"-José de Souza Leal/Artur Luiz Barbosa). Muitos atribuíam estes acontecimentos a sua suposta condição de analfabeto. Uma foto sua, autografada e dedicada, em 1913, à sua irmã, coloca em dúvida esta suposição.
É a obra deste grande homem, grande em estatura (1,84 m) e em caráter e que traz em seu apelido o compromisso com seu povo, que iremos agora focalizar. A obra de João Pernambuco (1883/1947) possui duas vertentes bem distintas: a sertaneja e a violonistica.
2º) A Canção Sertaneja:
A contribuição de João Pernambuco à Canção Sertaneja pode ser aquilatada pelo conteúdo do verbete correspondente na Enciclopédia da Música Brasileira (pg 136) onde se lê: "...A aceitação dessas chamadas canções sertanejas começou, na área popular, a partir do sucesso carnavalesco em 1914 da toada Caboca di Caxangá (João Pernambuco/ Catulo da Paixão Cearense) e, entre as classes média e alta, desde o sucesso do ciclo de conferências sobre temas folclóricos organizado por Afonso Arinos...". A participação de João Pernambuco foi de fundamental importância no encerramento do referido ciclo quando houve uma apresentação de músicas folclóricas por um grupo liderado por ele e contando ainda com Otávio Lessa, Luis Pinto de Lima e José Alves de Lima. Tal evento ocorreu no dia 28 de dezembro de 1915. Devido ao grande sucesso alcançado ele teve que ser bisado, o que ocorreu dois dias depois.
Com o intuito de divulgar os costumes e a música de sua gente, João Pernambuco organizava grupos que se vestiam com trajes típicos e cujos integrantes adotavam os nomes dos cantadores famosos daquelas regiões. Podemos citar o Grupo Caxangá, o Trio Viriato Correia/Storni/Pernambuco e a Troupe Sertaneja. Ele também participou, entre 1919 e 1922, do conjunto Oito Batutas que mais tarde alcançaria fama ao excursionar pela Europa. João Pernambuco em suas andanças pelo nordeste incentivava sempre a que grupos típicos se apresentassem na capital da República. Por sua influência aqui chegaram na década de vinte do século passado os seguintes grupos: Turunas Pernambucanos, Turunas da Mauricéia e A Voz do Sertão. Estes grupos eram constituídos por músicos de altíssimo nível e que alcançariam, mais tarde, projeção nacional. Tal era o caso de Luperce Miranda, Jararaca, Ratinho, Augusto Calheiros, o cego Manoel de Lima (que tocava violão com este deitado em seu colo) e Jaime Florence (Meira). O sucesso destes grupos foi tanto que acabaram por influenciar diversos grupos de origem urbana que foram formados para tocar este tipo de música como os Turunas Paulistas (organizado por Américo Jacomino em 1927) e o Bando dos Tangarás (1929), integrado por Noel Rosa, Almirante e João de Barro, dentre outros. O enorme sucesso da música Luar do Sertão, outra parceria de João Pernambuco com Catulo, serviu para estabelecer definitivamente a assim chamada Canção Sertaneja.
A divulgação desta vertente da obra de João Pernambuco ficou restrita durante um longo período de tempo àquelas realizadas pelos seguintes intérpretes:
1) Cantores da Casa Edison: Caboca dí Caxangá (1913) e Luar do Sertão
(1914). 2) Bahiano: Tia de Junqueira (1922) e Cuscus de Sinhá Chica (1922). 3) Patrício Teixeira: Poeta do Sertão (1927); As Emboladas do Norte (1929); Preto no Branco (1929); Cravo (1926); Jandaia (1926); Seu Coitinho Pegue o Boi (1926) e Ajueia Chiquinha (1926). 4) Stefana de Macedo: Maneca dos Geraes (1929); Biro Biro Iaiá (1929); Siricóia (1929); Estrela D'Alva (1930); Vancê (1929); Sodade Cabocla (1930) e Tia de Junqueira (1929). 5) Jararaca: Catirina (1930); Meu Noivado (1930) e Perigando (1930). 6) Januário de Oliveira: A inveja matou Caim (1930) e Corrupião da Lagoa (1930).7) Paraguassú: Amô de Caboco (1930); Luar do Sertão (1936) e Poeta do Sertão (1936), estas duas com a participação do Grupo Verde-amarelo.
Em São Paulo, a partir de 1927, encontraria a Canção Sertaneja um terreno fértil para a sua expansão. Foi marcante a realização das Noites Brasileiras organizadas em duas edições por Américo Jacomino e contando com a participação de músicos como José Sampaio, Armandinho Neves, Paraguassú e Raul Torres. Não tardariam a aparecer, além do já citado Turunas Paulistas, novos grupos regionais como os Batutas Paulistas (organizado por Raul Torres); os Chorões Sertanejos; o Grupo Verde-Amarelo( liderado por Paraguassú), a Orquestra Colbaz ( liderado por Gaó) e o Sexteto Bertorino Alma, liderado por Alberto Marino. Além dos já citados Paraguassú , Raul Torres, Jararaca e Stefana de Macedo, outros intérpretes expressivos foram a soprano Elsie Houston-Peret e Baptista Júnior. Uma geração de músicos de altíssimo nível técnico integrava estes conjuntos. Podemos citar Zezinho (mais tarde conhecido como Zé Carioca); Atílio Granny; Jonas Aragão; Nestor Amaral; Garoto; Alberto Marino; Gaó; José Sampaio e Aymoré. No período compreendido entre 1929 e 1935, viveu a Canção Sertaneja o seu apogeu em São Paulo e, como retribuição àquele que tanto fez pela divulgação desta música, foi justamente lá que João Pernambuco gravou a parte mais expressiva (tanto em qualidade como em quantidade) de sua obra em ambas vertentes.
Por fina ironia, foi exatamente nesta vertente que João amargou as maiores decepções com parceiros e supostos amigos. O caso clássico é aquele que envolve Catulo da Paixão Cearense por este não reconhecer em João o seu parceiro nas músicas Caboca dí Caxangá e Luar do Sertão. Catulo que tornou-se conhecido como compositor de modinhas, produzidas entre 1902 e 1912, passa após esta data a compor canções com motivos sertanejos ou seja, logo após conhecer e conviver com João Pernambuco. Devemos ressaltar que na letra de Caboca dí Caxangá faz-se menção a cidade de Jatobá, lugar onde João nasceu e viveu até os doze anos. Apesar disto João foi "por várias vezes amigo de Catulo", conforme mencionado na já citada revista "O Violão". Diversos foram os eventos em que Catulo e João participaram juntos já na década de vinte, tempos após estas parcerias...A polemica esquentou mesmo quando entraram em cena novos atores: De um lado,defendendo João, estavam Villa-lobos e Almirante. Do lado oposto, o jornalista Carlos Maul e o sr. Martins Guimarães. Trocaram cartas, trocaram farpas e o caso foi parar na Justiça e...nada!
Outro episódio bastante desagradável foi aquele que determinou o fim do Grupo Caxangá, que se apresentava nos carnavais da Capital. Contando na sua formação inicial com João Pernambuco( que era o líder), Caninha, Donga, Pixinguinha e Jacob Palmieri dentre outros, este grupo alcançou enorme sucesso no carnaval de 1914 justamente com a música Caboca di Caxangá! Com um número cada vez maior de participantes (p.ex: Quincas Laranjeiras, Lulu Cavaquinho, Zé Fragoso, Jaime Ovalle e Nelson Alves) este grupo brilha nos carnavais seguintes até 1919 quando é desfeito para dar origem a outro grupo que acabaria por se tornar famoso: Os Oito Batutas. Formado por quase todos os integrantes do Caxangá, este novo conjunto estava incumbido de atrair o público para o Cine Palais, público este que se afastara pelo temor da gripe espanhola. Estranho como possa parecer, João não foi chamado para participar da primeira formação deste grupo que se apresentava na sala de espera do referido cinema, que ficava quase em frente ao não menos famoso Cine Odeon.
Neste novo conjunto, Pixinguinha e Donga eram as figuras mais importantes e logo eles acabaram por esquecer do seu amigo e parceiro, parceiro em três músicas compostas em 1913, no tempo em que eles e João moravam juntos numa república na rua do Riachuelo 268. Estas músicas são: Os Três Companheiros, Sabiá e Estou Voltando. João só foi incorporado ao grupo graças à intervenção do milionário Arnaldo Guinle. Este se dispôs a financiar uma tourné dos Batutas com o objetivo de recolher canções típicas do interior dos estados de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e também do sertão nordestino. Guinle necessitava de um profundo conhecedor do folclore brasileiro e por este motivo João foi chamado. Ele participou deste conjunto de 1919 até 1921 quando se desligou após um desentendimento muito mal explicado com Arnaldo Guinle. No depoimento de Donga ao Museu da Imagem e do Som encontramos uma versão para este fato não condizente com o caráter de João Pernambuco.
Outro dissabor ocorreu quando Juvenal Fontes, um dos membros da Troupe Sertaneja, abandonou o grupo para formar outro com o mesmo repertório e, pasmem! Com o mesmo nome....
3º) A Obra Violonística
Esta parte da obra de João Pernambuco representa um dos mais importantes capítulos da história do violão brasileiro. Villa-Lobos, um entusiasta desta obra, assim se manifestou: "...Bach não teria vergonha de assinar os estudos de João Pernambuco como sendo seus.". O renomado musicólogo Mozart de Araújo não fez por menos: "João Pernambuco está para o violão assim como Ernesto Nazareth está para o piano". Por outro lado Domingos Prat, em seu conceituado Diccionario de Guitarristas, assim se refere a ele: "...Hemos podido escuchar sus versiones de Suspiro Apaixonado, Pó de Mico, Sonhos de Magia y Magoado em excelentes grabaciones donde revela su innegable domínio de la guitarra.". Até mesmo o controvertido Catulo da paixão Cearense, em seu livro A Mata Iluminada, nos conta que: "...é espantoso vê-lo e ouvi-lo executar produções de Barrios, Robledo, Albeniz, Levino e outros, conhecendo apenas os rudimentos de música...". Realmente é espantoso como alguém que trabalhando como ferreiro em jornadas de até dezesseis horas diárias por quatro anos e, após isto, outro tanto de anos como calceteiro de ruas, pudesse tocar violão com esta maestria. Era sim um intuitivo ou um violonista espontâneo como afirmava Catulo. Mas isto só o engrandecia já que, praticamente sem estudo formal, foi capaz de processar todas as informações recebidas dos cantadores e violeiros das feiras e mercados de Recife, bem como as recebidas dos chorões do Rio de Janeiro, misturando-as e transformando-as em algo genuinamente nosso, numa música essencialmente brasileira. Suas composições violonísticas passeiam por vários estilos como o Maxixe, a Valsa, o Jongo, o Fox-Trot além de prelúdios e estudos.
Seu grande incentivador e mestre foi Joaquim dos Santos, mais conhecido por Quincas Laranjeiras, que por muitos é considerado o pioneiro do ensino de violão por música entre nós. Dentre seus alunos, além de João, podemos destacar Donga, Levino Albano, José Augusto de Freitas, Antonio Rebello e Othon Salleiro. O primeiro registro fotográfico da convivência de João com Quincas Laranjeiras data de 1909, onde aparecem juntos tocando violão.
É bem provável que João Pernambuco tenha integrado o famoso "Grupo K. Laranjeiras" que gravou seis músicas pela Odeon R em 1910 e outras três, na mesma gravadora, em 1912. Muito ligado por laços de amizade a Catulo, é também provável que Quincas tenha promovido a aproximação daquele com João. Esta convivência tumultuada, no fim, foi benéfica para ambos: Se por um lado sua aproximação com Catulo permitiu a João alcançar admiradores em platéias mais sofisticadas, por outro lado não há como negar que a convivência com João deu um novo fôlego a produção musical de Catulo. A admiração deste por João tornou-se pública em diversas ocasiões, uma destas colhida por Alexandre Gonçalves Pinto em seu livro O Choro (pg . 124) : "Catulo o distinguia como um farol que brilha no mundo das harmonias". Outra está contida na revista O Violão: "...para ser notável, nada mais precisava ele do que a convivência aturada com o célebre paraguaio Agustín Barrios ou com a grande Josefina Robledo, recebendo-lhes as lições teóricas...). pode-se entender, a partir destas considerações, como se deu o aprendizado essencialmente informal de João Pernambuco. O afamado violonista paraguaio Agustín Barrios, de quem disse John Williams ser mais importante para o violão do que o próprio Villa-Lobos, admirava muito João Pernambuco. Reza a lenda que ao ouvir um choro executado por João emocionou-se e ali, na mesma hora, compôs o seu Choro da Saudade. Barrios esteve entre nós pela primeira vez no Rio de Janeiro em 1916 e na sua estréia dividiu opiniões. Enquanto que uns exaltavam-no como um virtuose, outros como Ernani Figueiredo e Homero Alvarez criticavam-no por usar cordas de aço ao invés das de tripa. Barrios chegou precedido de muita fama e logo a imprensa dedicou-lhe um grande espaço, o que certamente descontentou aqueles violonistas patrícios que lutavam pelo ressurgimento do violão, como Ernani e o Brant Horta. Em sua segunda visita a Capital, Barrios foi muito bem recebido e no recital que deu no dia nove de julho daquele ano apresentou um repertório bem diferente do anterior, revelando agora sua admiração e o conseqüente envolvimento com a música brasileira. Músicas como Bicho Feio, Bela Morena, Viola Cantadeira e Chora Cavaquinho fizeram a delícia da platéia. Por esta ocasião, enquanto Donga e Pixinguinha estavam com os Oito Batutas, João e Quincas participavam de animadas reuniões musicais com Barrios na loja O Cavaquinho de Ouro, que ficava na rua Uruguaiana 137. É provável que aquela famosa foto em que os três aparecem juntos nesta loja seja desta época, e não de 1929 como consta em muitos lugares. Comparando outras fotos de João e de Barrios datadas de 1929 com aquela em que os três aparecem juntos, pode-se chegar a esta conclusão. É bem verdade que Barrios esteve no Rio de Janeiro em 1929 realizando concertos e também participando de reuniões musicais no Cavaquinho de Ouro com a presença de Quincas, João Pernambuco, Nelson Alves, Luperce Miranda, Meira e Othon Salleiro.
Outro fato marcante na vida de João foi a homenagem recebida quando da realização do evento O Que É Nosso, promovido pelo jornal Correio da Manhã. Tal evento consistia de um concurso com provas em categorias como violão, canto, músicas ao piano e emboladas sertanejas. Na categoria violão, estavam previstas três provas: a primeira consistindo de execução de uma peça clássica, a segunda de uma composição nacional e a terceira de livre escolha. Para patrono destas provas foi convidado João Pernambuco, que mereceu daquele jornal o seguinte texto: "...é um nome que o Brasil inteiro conhece. Ouvi-lo tanger as cordas de seu violão é sentir toda a doçura do nosso folclore, que ele conhece como poucos. Suas composições primam pelo estilo tipicamente nacional. Pernambuco é o violão brasileiro por excelência: romântico, choroso e alegre...". Para estas provas inscreveram-se Américo Jacomino, mais conhecido por Canhoto, a então menina Yvonne Rabello, filha do Zé Cavaquinho e o cego Manoel de Lima, integrante do conjunto Turunas da Mauricéia. Após a realização destas prova no Teatro Lírico em 19/02/1927, a comissão organizadora resolveu instituir três prêmios ao invés de apenas um. Deste modo o Américo Jacomino ficou com o Premio João Pernambuco, a menina Yvonne com o Premio Joaquim dos Santos e o Manoel de Lima com o Premio Levino Albano.
Ainda em 1927 participam João e Catulo da festa em homenagem ao grande amigo de ambos, Américo Jacomino, realizada no Teatro Carlos Gomes. No ano anterior João e Catulo viajaram até São Paulo, capital, e depois a Santos em apresentações musicais. Nesta viagem, João conheceu o violonista e compositor Armandinho Neves, de quem se tornou amigo e parceiro em pelo menos duas composições: Serrano e Pinheirada.
Sua discografia como violonista confunde-se com a do inspirado compositor que foi. Excetuando-se as músicas Pensando em Agostinha (Phoenix 1912) e Grupo do Abacate (Odeon R 1914), toda sua obra violonistica foi gravada na década de vinte: Com acompanhamento de Rogério Guimarães, que se destacaria mais tarde como solista de violão, gravou pela Odeon R em 1926 as músicas Mimoso e Lágrimas. Neste mesmo ano e pela mesma gravadora, mas com acompanhamento de Nelson Alves ao cavaquinho e ao violão grava as músicas Magoado e Sons de Carrilhões. Nas dez músicas seguintes, gravadas entre 1928 e 1929, o acompanhamento é de Zezinho e a gravadora, Columbia. Zezinho, que mais tarde se tornou conhecido por Zé Carioca, desempenhou importante papel na música de João Pernambuco pela qualidade de seus acompanhamentos. Basta citar o que ele faz na música Interrogando onde enquanto o solista está na região grave, o acompanhante está na região aguça e vice-versa, dando a idéia de um interrogatório. Estas músicas acompanhadas por Zezinho são: Suspiro Apaixonado, Pó de Mico, Sonho de Magia, Magoada, Reboliço, Rosa Carioca, Recordando, Dengoso, Sentindo e Interrogando.
Por mais de dez anos (1925/1935) morou João Pernambuco no casarão da av. Mem de Sá 81. Funcionava lá uma república em que moravam, em sua maioria, jogadores de futebol e músicos. João organizava aí concorridas rodas de choro onde eram certas as presenças de Pixinguinha, Donga, Patrício Teixeira e , sempre que possível, Villa-Lobos.
Foi também nesta casa que João acolheu a Jaime Florence, o Meira, quando seu irmão Robson( integrante dos Turunas Pernambucanos) faleceu. Meira, que veio ao Rio com o grupo Voz do Sertão, seria conhecido tanto pelo duo de violões que formou com Dino 7 cordas quanto por sua composição Molambo, com Augusto Mesquita. Deve-se ressaltar sua importância como professor de alunos que se tornaram ilustres como Rafael Rabello, Baden Powell e Maurício Carrilho. Meira transmitia a seus alunos o respeito e a admiração pela obra de seu grande amigo João Pernambuco. Convém esclarecer que Meira é derivado de Jaimeira, um apelido seu de infância.
O primeiro contato de João com um jovem e promissor violonista, aluno de Levino Albano, e que com ele chegou ao Rio de Janeiro no encerramento de uma tourné por vários estados brasileiros, ocorreu também nesta casa. Este aluno chamava-se Dilermando Reis e este encontro deu-se em 1933. Ao chegar na Cidade maravilhosa Levino quis logo saber como encontrar seu velho amigo João Pernambuco. Já de posse do endereço rumou com Dilermando para o casarão da Lapa. Após o reencontro e a conversa posta em dia começaram, Levino e João, a tocar violão a recordar os velhos tempos, para deleite do jovem Dilermando que a tudo assistia maravilhado. Com o avançar da hora, João convida-os a pernoitar em seu quarto, que dispunha apenas de duas camas. É fácil adivinhar onde Dilermando dormiu, mas certamente foi esta sua melhor noite mal dormida...Na manhã seguinte, enquanto Levino ainda dormia e João saíra para comprar o pão, Dilermando estava a tocar o violão na tentativa de reproduzir tudo aquilo que ouvira na noite anterior. João, que já estava próximo da porta, prestes a entrar e, ao ouvir o violão, perguntou: - Levino, é você?. A resposta veio tímida e abafada: -Não, sou eu, Dilermando...
Nasceu daí uma grande amizade que seria eternizada por Dilermando em sua interpretação de Sons de Carrilhões, em gravação de 1952 pela Continental, transformando-a em sucesso nacional. Um ano depois Dilermando grava Interrogando, pela Continental.
Não se deve esquecer o importante trabalho de preservação e catalogação de partituras realizado pelo extraordinário músico e pesquisador que foi Jacob do Bandolim. Suas anotações sobre a obra de João Pernambuco, hoje parte integrante de seu acervo no Museu da Imagem e do Som, constituem o ponto de partida para qualquer investigação séria sobre este assunto. Jacob gravou acompanhado de regional, pela RCA Victor em 1950, a música Graúna de João Pernambuco, musica esta que fazia parte do repertório dos Oito Batutas e que por eles foi gravada em 1923 pela Victor.
O ressurgimento do interesse na obra de João Pernambuco deve ser creditado, sem sombra de dúvidas, ao grande violonista erudito Turíbio Santos. Sua proximidade com a obra violonistica de Villa-Lobos certamente o impeliu para uma investigação das peças de Pernambuco. O resultado foi apresentado no Lp Choros do Brasil e principalmente na edição de treze partituras, pela Ricordi, de músicas de João. Devido ao seu grande prestígio, Turíbio fez com que muitos violonistas expressivos incluíssem estas músicas em seus repertórios.
Quase nesta época, em 1979, a gravadora Continental lança um Lp com as gravações originais de João Pernambuco e Zé Carioca, gravadas pela Columbia, e complementadas com as duas gravações feiras por Dilermando.
Em 1982, com vistas ao centenário de João Pernambuco, a Funarte promove um lançamento triplo:
1) A biografia João Pernambuco- Arte de um Povo, autoria de José de Souza
Leal e Artur Luiz Barbosa.
2) Lp João Pernambuco 100anos, com Antonio Adolfo e o conjunto Nó em Pingo
D'Agua. Neste trabalho são apresentadas as seguintes músicas: Interrogando, Mimoso,
Sonho de Magia, Choro em Sol, Sentindo, Rosa Carioca, Brasileirinho,
Dengoso, Valsa em Lá, Sons de Carrilhões e a Estrada do Sertão.
3) Álbum de partituras arranjadas por Antonio Adolfo e Maurício Carrilho contendo as seguintes músicas: Estrada do Sertão, Brasileirinho, Rosa Carioca e Sonho de Magia.
Na década de noventa tivemos quatro lançamentos significativos sobre a obra do Poeta do Violão:
1) Caio César interpreta João Pernambuco-vol 1.1993 (independente). Neste Cd são apresentadas as seguintes músicas: Sons de Carrilhões, Brasileirinho, Dengoso, Brejeiro, Sonho de Magia, Sentindo, Interrogando, Graúna, Choro No 1, Choro No 2 e Cecy. Infelizmente o segundo volume, que sairia pela Velas, naufragou junto com a gravadora
2) João Pernambuco, O Poeta do Violão- Eldorado 1997- Neste Cd o pesquisador e violonista Leandro Carvalho fornece uma visão bem abrangente da obra de João, incluindo sete canções sertanejas além das peças violonisticas. São elas: Reboliço, Caboca dí Caxangá, Ronca o Bizouro na Fulo, Dengoso, Sons de Carrilhões, Luar do Sertão, Preto no Branco, Pó de Mico, Azulão, Graúna, Sonho de Magia, A Estrada do Sertão, Meu Noivado e Interrogando. A excelência do violão de Leandro Carvalho, a qualidade dos músicos participantes e maravilhosa cantora que é Sandra Pereira, fazem deste trabalho uma obra prima.
3) Descobrindo João Pernambuco-Eldorado 1999- Novamente Leandro Carvalho nos surpreende com um trabalho da mais alta competência. São apresentadas pela primeira vez as parcerias de Pernambuco com Donga e Pixinguinha e também suas parcerias com Armandinho Neves. As músicas são as seguintes: Serrano, Recordando, Pensando em Agostinha, Estudo No 1, Pinheirada, Estrada do Sertão, Sonhando na Rede, Sabiá, Rosa Carioca, Brasileirinho, Lágrima, Saudosa Viola, Valsa em Lá, Lamentos, Noite de Ventura, Noturno, Choro No 1, Os Três Companheiros e Luar do Sertão.
4) Baden- João Pernambuco e o Sertão- Sesc 2000- O genial Baden Powell apresenta em seu derradeiro trabalho uma emocionante e emocionada leitura da obra de João. Com a participação de Leandro Carvalho, Baden nos apresenta as seguintes músicas: Luar do Sertão, Brasileirinho, Sons de Carrilhões, Valsa em Lá, Graúna, Dengoso, Estudo No 1, Pó de Mico, Sonho de Magia e Interrogando. Ao escutar este trabalho, sinto a presença de Meira. Numa entrevista a José de Souza Leal e que se encontra na Biografia de João, Rafael Rabello nos diz que; "conheci sua obra ouvindo Dilermando Reis e, aos dez anos, quando conheci o Meira perguntei-lhe se sabia tocar músicas de João Pernambuco. Aí então ele me ensinou uma porção de músicas...". Mais tarde Rafael nos presentearia com uma interpretação antológica de Interrogando, com Dino 7 Cordas no acompanhamento. Outro aluno de Meira, Maurício Carrilho, participou ativamente dos projetos da Funarte relativos ao centenário de João. Por fim, Baden com este derradeiro e belo trabalho...Meira e Pernambuco devem estar radiantes lá em cima, assim como nós aqui em baixo.
(Artigo publicado originalmente em http://www.chiquinhagonzaga.com/ em 2004)
Por Jorge Mello.
1º) Um breve perfil
João Teixeira Guimarães nasceu em Jatobá, sertão pernambucano, no dia 02 denovembro de 1883. Seus pais foram Manoel Teixeira Guimarães e Tereza Vieira e João era o terceiro dentre os onze filhos do casal. Com a morte do sr. Manoel, sua mãe casou-se com Eugênio Alves Mendes com quem viria a ter outros onze filhos. Buscando uma vida melhor, partiram todos para Recife, onde foram morar no bairro da Torre.
Ao mesmo tempo em que, seguindo os passos de seu irmão José, aprende o ofício de ferreiro, João participa também de animadas reuniões de cantadores, violeiros e repentistas no Mercado de São Pedro. Os cantadores Ugulino de Teixeira, Romano da Mãe D'Água, Inácio da Catingueira, Mane do Riachão e os violeiros Manoel Cabeceira, Cirino da Guajurema, Bem-te-ví, Mandapolão, Serrador, Cego Sinfrônio e Falcão das Queimadas foram grandes mestres da tradição nordestina e muito contribuíram à formação de sua personalidade artística.
Um passo maior foi dado por João quando decidiu morar no Rio de Janeiro, então capital da República, e onde já se encontravam seus irmãos José e Maria. Chegou então em 1904, aos vinte anos de idade com seu violão, uma muda de roupas e muitos sonhos. Mesmo trabalhando pesado como ferreiro em jornadas de até dezesseis horas diárias, encontrava João sempre algum tempo para tocar violão e falar de sua terra para os amigos em número sempre crescente. Daí o apelido com que ficou conhecido e que o acompanhou pelo resto de sua vida: João Pernambuco. A partir de 1908 passa a trabalhar como calceteiro de ruas, as mãos ainda sofrendo com as marretadas, mas com um salário maior e uma jornada de trabalho menor, o que lhe permitia uma maior dedicação às rodas de choro e ao violão. Começa então sua vida artística propriamente dita justamente neste ano em que o violão, considerado por muitos como um instrumento de desocupados, entra nos salões do austero Instituto Nacional de Música. Levado pelas mãos de Catulo da Paixão Cearense, Quincas Laranjeiras, Zé Cavaquinho e Ernani Figueiredo, teve o violão seu dia de glória no dia cinco de julho deste ano num Concerto que alcançou um enorme sucesso.
João Pernambuco foi realmente um tipaço, muito bem descrito na galeria de perfis da Revista do Violão, dezembro de 1929: "...É dono de um grande coração( não fosse ele poeta), além de ser uma alma infantil acomodada naquele corpanzil de atleta...". Ao longo de sua vida ele exerceu funções modestas, como as de ferreiro, calceteiro, servente (no Pedagogium, que ficava na rua do Passeio) e contínuo, função exercida na Superintendência de Educação Musical e Artística a partir de 1934, a convite de seu amigo Villa-Lobos. Este inclusive foi muito criticado por esta atitude: "...torna-se inconcebível que o maestro Villa-Lobos convide o mestre João Pernambuco para exercer a função de contínuo dentro de um órgão que tinha como objeto central a música..."( Ver " João Pernambuco.Arte de um povo"-José de Souza Leal/Artur Luiz Barbosa). Muitos atribuíam estes acontecimentos a sua suposta condição de analfabeto. Uma foto sua, autografada e dedicada, em 1913, à sua irmã, coloca em dúvida esta suposição.
É a obra deste grande homem, grande em estatura (1,84 m) e em caráter e que traz em seu apelido o compromisso com seu povo, que iremos agora focalizar. A obra de João Pernambuco (1883/1947) possui duas vertentes bem distintas: a sertaneja e a violonistica.
2º) A Canção Sertaneja:
A contribuição de João Pernambuco à Canção Sertaneja pode ser aquilatada pelo conteúdo do verbete correspondente na Enciclopédia da Música Brasileira (pg 136) onde se lê: "...A aceitação dessas chamadas canções sertanejas começou, na área popular, a partir do sucesso carnavalesco em 1914 da toada Caboca di Caxangá (João Pernambuco/ Catulo da Paixão Cearense) e, entre as classes média e alta, desde o sucesso do ciclo de conferências sobre temas folclóricos organizado por Afonso Arinos...". A participação de João Pernambuco foi de fundamental importância no encerramento do referido ciclo quando houve uma apresentação de músicas folclóricas por um grupo liderado por ele e contando ainda com Otávio Lessa, Luis Pinto de Lima e José Alves de Lima. Tal evento ocorreu no dia 28 de dezembro de 1915. Devido ao grande sucesso alcançado ele teve que ser bisado, o que ocorreu dois dias depois.
Com o intuito de divulgar os costumes e a música de sua gente, João Pernambuco organizava grupos que se vestiam com trajes típicos e cujos integrantes adotavam os nomes dos cantadores famosos daquelas regiões. Podemos citar o Grupo Caxangá, o Trio Viriato Correia/Storni/Pernambuco e a Troupe Sertaneja. Ele também participou, entre 1919 e 1922, do conjunto Oito Batutas que mais tarde alcançaria fama ao excursionar pela Europa. João Pernambuco em suas andanças pelo nordeste incentivava sempre a que grupos típicos se apresentassem na capital da República. Por sua influência aqui chegaram na década de vinte do século passado os seguintes grupos: Turunas Pernambucanos, Turunas da Mauricéia e A Voz do Sertão. Estes grupos eram constituídos por músicos de altíssimo nível e que alcançariam, mais tarde, projeção nacional. Tal era o caso de Luperce Miranda, Jararaca, Ratinho, Augusto Calheiros, o cego Manoel de Lima (que tocava violão com este deitado em seu colo) e Jaime Florence (Meira). O sucesso destes grupos foi tanto que acabaram por influenciar diversos grupos de origem urbana que foram formados para tocar este tipo de música como os Turunas Paulistas (organizado por Américo Jacomino em 1927) e o Bando dos Tangarás (1929), integrado por Noel Rosa, Almirante e João de Barro, dentre outros. O enorme sucesso da música Luar do Sertão, outra parceria de João Pernambuco com Catulo, serviu para estabelecer definitivamente a assim chamada Canção Sertaneja.
A divulgação desta vertente da obra de João Pernambuco ficou restrita durante um longo período de tempo àquelas realizadas pelos seguintes intérpretes:
1) Cantores da Casa Edison: Caboca dí Caxangá (1913) e Luar do Sertão
(1914). 2) Bahiano: Tia de Junqueira (1922) e Cuscus de Sinhá Chica (1922). 3) Patrício Teixeira: Poeta do Sertão (1927); As Emboladas do Norte (1929); Preto no Branco (1929); Cravo (1926); Jandaia (1926); Seu Coitinho Pegue o Boi (1926) e Ajueia Chiquinha (1926). 4) Stefana de Macedo: Maneca dos Geraes (1929); Biro Biro Iaiá (1929); Siricóia (1929); Estrela D'Alva (1930); Vancê (1929); Sodade Cabocla (1930) e Tia de Junqueira (1929). 5) Jararaca: Catirina (1930); Meu Noivado (1930) e Perigando (1930). 6) Januário de Oliveira: A inveja matou Caim (1930) e Corrupião da Lagoa (1930).7) Paraguassú: Amô de Caboco (1930); Luar do Sertão (1936) e Poeta do Sertão (1936), estas duas com a participação do Grupo Verde-amarelo.
Em São Paulo, a partir de 1927, encontraria a Canção Sertaneja um terreno fértil para a sua expansão. Foi marcante a realização das Noites Brasileiras organizadas em duas edições por Américo Jacomino e contando com a participação de músicos como José Sampaio, Armandinho Neves, Paraguassú e Raul Torres. Não tardariam a aparecer, além do já citado Turunas Paulistas, novos grupos regionais como os Batutas Paulistas (organizado por Raul Torres); os Chorões Sertanejos; o Grupo Verde-Amarelo( liderado por Paraguassú), a Orquestra Colbaz ( liderado por Gaó) e o Sexteto Bertorino Alma, liderado por Alberto Marino. Além dos já citados Paraguassú , Raul Torres, Jararaca e Stefana de Macedo, outros intérpretes expressivos foram a soprano Elsie Houston-Peret e Baptista Júnior. Uma geração de músicos de altíssimo nível técnico integrava estes conjuntos. Podemos citar Zezinho (mais tarde conhecido como Zé Carioca); Atílio Granny; Jonas Aragão; Nestor Amaral; Garoto; Alberto Marino; Gaó; José Sampaio e Aymoré. No período compreendido entre 1929 e 1935, viveu a Canção Sertaneja o seu apogeu em São Paulo e, como retribuição àquele que tanto fez pela divulgação desta música, foi justamente lá que João Pernambuco gravou a parte mais expressiva (tanto em qualidade como em quantidade) de sua obra em ambas vertentes.
Por fina ironia, foi exatamente nesta vertente que João amargou as maiores decepções com parceiros e supostos amigos. O caso clássico é aquele que envolve Catulo da Paixão Cearense por este não reconhecer em João o seu parceiro nas músicas Caboca dí Caxangá e Luar do Sertão. Catulo que tornou-se conhecido como compositor de modinhas, produzidas entre 1902 e 1912, passa após esta data a compor canções com motivos sertanejos ou seja, logo após conhecer e conviver com João Pernambuco. Devemos ressaltar que na letra de Caboca dí Caxangá faz-se menção a cidade de Jatobá, lugar onde João nasceu e viveu até os doze anos. Apesar disto João foi "por várias vezes amigo de Catulo", conforme mencionado na já citada revista "O Violão". Diversos foram os eventos em que Catulo e João participaram juntos já na década de vinte, tempos após estas parcerias...A polemica esquentou mesmo quando entraram em cena novos atores: De um lado,defendendo João, estavam Villa-lobos e Almirante. Do lado oposto, o jornalista Carlos Maul e o sr. Martins Guimarães. Trocaram cartas, trocaram farpas e o caso foi parar na Justiça e...nada!
Outro episódio bastante desagradável foi aquele que determinou o fim do Grupo Caxangá, que se apresentava nos carnavais da Capital. Contando na sua formação inicial com João Pernambuco( que era o líder), Caninha, Donga, Pixinguinha e Jacob Palmieri dentre outros, este grupo alcançou enorme sucesso no carnaval de 1914 justamente com a música Caboca di Caxangá! Com um número cada vez maior de participantes (p.ex: Quincas Laranjeiras, Lulu Cavaquinho, Zé Fragoso, Jaime Ovalle e Nelson Alves) este grupo brilha nos carnavais seguintes até 1919 quando é desfeito para dar origem a outro grupo que acabaria por se tornar famoso: Os Oito Batutas. Formado por quase todos os integrantes do Caxangá, este novo conjunto estava incumbido de atrair o público para o Cine Palais, público este que se afastara pelo temor da gripe espanhola. Estranho como possa parecer, João não foi chamado para participar da primeira formação deste grupo que se apresentava na sala de espera do referido cinema, que ficava quase em frente ao não menos famoso Cine Odeon.
Neste novo conjunto, Pixinguinha e Donga eram as figuras mais importantes e logo eles acabaram por esquecer do seu amigo e parceiro, parceiro em três músicas compostas em 1913, no tempo em que eles e João moravam juntos numa república na rua do Riachuelo 268. Estas músicas são: Os Três Companheiros, Sabiá e Estou Voltando. João só foi incorporado ao grupo graças à intervenção do milionário Arnaldo Guinle. Este se dispôs a financiar uma tourné dos Batutas com o objetivo de recolher canções típicas do interior dos estados de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e também do sertão nordestino. Guinle necessitava de um profundo conhecedor do folclore brasileiro e por este motivo João foi chamado. Ele participou deste conjunto de 1919 até 1921 quando se desligou após um desentendimento muito mal explicado com Arnaldo Guinle. No depoimento de Donga ao Museu da Imagem e do Som encontramos uma versão para este fato não condizente com o caráter de João Pernambuco.
Outro dissabor ocorreu quando Juvenal Fontes, um dos membros da Troupe Sertaneja, abandonou o grupo para formar outro com o mesmo repertório e, pasmem! Com o mesmo nome....
3º) A Obra Violonística
Esta parte da obra de João Pernambuco representa um dos mais importantes capítulos da história do violão brasileiro. Villa-Lobos, um entusiasta desta obra, assim se manifestou: "...Bach não teria vergonha de assinar os estudos de João Pernambuco como sendo seus.". O renomado musicólogo Mozart de Araújo não fez por menos: "João Pernambuco está para o violão assim como Ernesto Nazareth está para o piano". Por outro lado Domingos Prat, em seu conceituado Diccionario de Guitarristas, assim se refere a ele: "...Hemos podido escuchar sus versiones de Suspiro Apaixonado, Pó de Mico, Sonhos de Magia y Magoado em excelentes grabaciones donde revela su innegable domínio de la guitarra.". Até mesmo o controvertido Catulo da paixão Cearense, em seu livro A Mata Iluminada, nos conta que: "...é espantoso vê-lo e ouvi-lo executar produções de Barrios, Robledo, Albeniz, Levino e outros, conhecendo apenas os rudimentos de música...". Realmente é espantoso como alguém que trabalhando como ferreiro em jornadas de até dezesseis horas diárias por quatro anos e, após isto, outro tanto de anos como calceteiro de ruas, pudesse tocar violão com esta maestria. Era sim um intuitivo ou um violonista espontâneo como afirmava Catulo. Mas isto só o engrandecia já que, praticamente sem estudo formal, foi capaz de processar todas as informações recebidas dos cantadores e violeiros das feiras e mercados de Recife, bem como as recebidas dos chorões do Rio de Janeiro, misturando-as e transformando-as em algo genuinamente nosso, numa música essencialmente brasileira. Suas composições violonísticas passeiam por vários estilos como o Maxixe, a Valsa, o Jongo, o Fox-Trot além de prelúdios e estudos.
Seu grande incentivador e mestre foi Joaquim dos Santos, mais conhecido por Quincas Laranjeiras, que por muitos é considerado o pioneiro do ensino de violão por música entre nós. Dentre seus alunos, além de João, podemos destacar Donga, Levino Albano, José Augusto de Freitas, Antonio Rebello e Othon Salleiro. O primeiro registro fotográfico da convivência de João com Quincas Laranjeiras data de 1909, onde aparecem juntos tocando violão.
É bem provável que João Pernambuco tenha integrado o famoso "Grupo K. Laranjeiras" que gravou seis músicas pela Odeon R em 1910 e outras três, na mesma gravadora, em 1912. Muito ligado por laços de amizade a Catulo, é também provável que Quincas tenha promovido a aproximação daquele com João. Esta convivência tumultuada, no fim, foi benéfica para ambos: Se por um lado sua aproximação com Catulo permitiu a João alcançar admiradores em platéias mais sofisticadas, por outro lado não há como negar que a convivência com João deu um novo fôlego a produção musical de Catulo. A admiração deste por João tornou-se pública em diversas ocasiões, uma destas colhida por Alexandre Gonçalves Pinto em seu livro O Choro (pg . 124) : "Catulo o distinguia como um farol que brilha no mundo das harmonias". Outra está contida na revista O Violão: "...para ser notável, nada mais precisava ele do que a convivência aturada com o célebre paraguaio Agustín Barrios ou com a grande Josefina Robledo, recebendo-lhes as lições teóricas...). pode-se entender, a partir destas considerações, como se deu o aprendizado essencialmente informal de João Pernambuco. O afamado violonista paraguaio Agustín Barrios, de quem disse John Williams ser mais importante para o violão do que o próprio Villa-Lobos, admirava muito João Pernambuco. Reza a lenda que ao ouvir um choro executado por João emocionou-se e ali, na mesma hora, compôs o seu Choro da Saudade. Barrios esteve entre nós pela primeira vez no Rio de Janeiro em 1916 e na sua estréia dividiu opiniões. Enquanto que uns exaltavam-no como um virtuose, outros como Ernani Figueiredo e Homero Alvarez criticavam-no por usar cordas de aço ao invés das de tripa. Barrios chegou precedido de muita fama e logo a imprensa dedicou-lhe um grande espaço, o que certamente descontentou aqueles violonistas patrícios que lutavam pelo ressurgimento do violão, como Ernani e o Brant Horta. Em sua segunda visita a Capital, Barrios foi muito bem recebido e no recital que deu no dia nove de julho daquele ano apresentou um repertório bem diferente do anterior, revelando agora sua admiração e o conseqüente envolvimento com a música brasileira. Músicas como Bicho Feio, Bela Morena, Viola Cantadeira e Chora Cavaquinho fizeram a delícia da platéia. Por esta ocasião, enquanto Donga e Pixinguinha estavam com os Oito Batutas, João e Quincas participavam de animadas reuniões musicais com Barrios na loja O Cavaquinho de Ouro, que ficava na rua Uruguaiana 137. É provável que aquela famosa foto em que os três aparecem juntos nesta loja seja desta época, e não de 1929 como consta em muitos lugares. Comparando outras fotos de João e de Barrios datadas de 1929 com aquela em que os três aparecem juntos, pode-se chegar a esta conclusão. É bem verdade que Barrios esteve no Rio de Janeiro em 1929 realizando concertos e também participando de reuniões musicais no Cavaquinho de Ouro com a presença de Quincas, João Pernambuco, Nelson Alves, Luperce Miranda, Meira e Othon Salleiro.
Outro fato marcante na vida de João foi a homenagem recebida quando da realização do evento O Que É Nosso, promovido pelo jornal Correio da Manhã. Tal evento consistia de um concurso com provas em categorias como violão, canto, músicas ao piano e emboladas sertanejas. Na categoria violão, estavam previstas três provas: a primeira consistindo de execução de uma peça clássica, a segunda de uma composição nacional e a terceira de livre escolha. Para patrono destas provas foi convidado João Pernambuco, que mereceu daquele jornal o seguinte texto: "...é um nome que o Brasil inteiro conhece. Ouvi-lo tanger as cordas de seu violão é sentir toda a doçura do nosso folclore, que ele conhece como poucos. Suas composições primam pelo estilo tipicamente nacional. Pernambuco é o violão brasileiro por excelência: romântico, choroso e alegre...". Para estas provas inscreveram-se Américo Jacomino, mais conhecido por Canhoto, a então menina Yvonne Rabello, filha do Zé Cavaquinho e o cego Manoel de Lima, integrante do conjunto Turunas da Mauricéia. Após a realização destas prova no Teatro Lírico em 19/02/1927, a comissão organizadora resolveu instituir três prêmios ao invés de apenas um. Deste modo o Américo Jacomino ficou com o Premio João Pernambuco, a menina Yvonne com o Premio Joaquim dos Santos e o Manoel de Lima com o Premio Levino Albano.
Ainda em 1927 participam João e Catulo da festa em homenagem ao grande amigo de ambos, Américo Jacomino, realizada no Teatro Carlos Gomes. No ano anterior João e Catulo viajaram até São Paulo, capital, e depois a Santos em apresentações musicais. Nesta viagem, João conheceu o violonista e compositor Armandinho Neves, de quem se tornou amigo e parceiro em pelo menos duas composições: Serrano e Pinheirada.
Sua discografia como violonista confunde-se com a do inspirado compositor que foi. Excetuando-se as músicas Pensando em Agostinha (Phoenix 1912) e Grupo do Abacate (Odeon R 1914), toda sua obra violonistica foi gravada na década de vinte: Com acompanhamento de Rogério Guimarães, que se destacaria mais tarde como solista de violão, gravou pela Odeon R em 1926 as músicas Mimoso e Lágrimas. Neste mesmo ano e pela mesma gravadora, mas com acompanhamento de Nelson Alves ao cavaquinho e ao violão grava as músicas Magoado e Sons de Carrilhões. Nas dez músicas seguintes, gravadas entre 1928 e 1929, o acompanhamento é de Zezinho e a gravadora, Columbia. Zezinho, que mais tarde se tornou conhecido por Zé Carioca, desempenhou importante papel na música de João Pernambuco pela qualidade de seus acompanhamentos. Basta citar o que ele faz na música Interrogando onde enquanto o solista está na região grave, o acompanhante está na região aguça e vice-versa, dando a idéia de um interrogatório. Estas músicas acompanhadas por Zezinho são: Suspiro Apaixonado, Pó de Mico, Sonho de Magia, Magoada, Reboliço, Rosa Carioca, Recordando, Dengoso, Sentindo e Interrogando.
Por mais de dez anos (1925/1935) morou João Pernambuco no casarão da av. Mem de Sá 81. Funcionava lá uma república em que moravam, em sua maioria, jogadores de futebol e músicos. João organizava aí concorridas rodas de choro onde eram certas as presenças de Pixinguinha, Donga, Patrício Teixeira e , sempre que possível, Villa-Lobos.
Foi também nesta casa que João acolheu a Jaime Florence, o Meira, quando seu irmão Robson( integrante dos Turunas Pernambucanos) faleceu. Meira, que veio ao Rio com o grupo Voz do Sertão, seria conhecido tanto pelo duo de violões que formou com Dino 7 cordas quanto por sua composição Molambo, com Augusto Mesquita. Deve-se ressaltar sua importância como professor de alunos que se tornaram ilustres como Rafael Rabello, Baden Powell e Maurício Carrilho. Meira transmitia a seus alunos o respeito e a admiração pela obra de seu grande amigo João Pernambuco. Convém esclarecer que Meira é derivado de Jaimeira, um apelido seu de infância.
O primeiro contato de João com um jovem e promissor violonista, aluno de Levino Albano, e que com ele chegou ao Rio de Janeiro no encerramento de uma tourné por vários estados brasileiros, ocorreu também nesta casa. Este aluno chamava-se Dilermando Reis e este encontro deu-se em 1933. Ao chegar na Cidade maravilhosa Levino quis logo saber como encontrar seu velho amigo João Pernambuco. Já de posse do endereço rumou com Dilermando para o casarão da Lapa. Após o reencontro e a conversa posta em dia começaram, Levino e João, a tocar violão a recordar os velhos tempos, para deleite do jovem Dilermando que a tudo assistia maravilhado. Com o avançar da hora, João convida-os a pernoitar em seu quarto, que dispunha apenas de duas camas. É fácil adivinhar onde Dilermando dormiu, mas certamente foi esta sua melhor noite mal dormida...Na manhã seguinte, enquanto Levino ainda dormia e João saíra para comprar o pão, Dilermando estava a tocar o violão na tentativa de reproduzir tudo aquilo que ouvira na noite anterior. João, que já estava próximo da porta, prestes a entrar e, ao ouvir o violão, perguntou: - Levino, é você?. A resposta veio tímida e abafada: -Não, sou eu, Dilermando...
Nasceu daí uma grande amizade que seria eternizada por Dilermando em sua interpretação de Sons de Carrilhões, em gravação de 1952 pela Continental, transformando-a em sucesso nacional. Um ano depois Dilermando grava Interrogando, pela Continental.
Não se deve esquecer o importante trabalho de preservação e catalogação de partituras realizado pelo extraordinário músico e pesquisador que foi Jacob do Bandolim. Suas anotações sobre a obra de João Pernambuco, hoje parte integrante de seu acervo no Museu da Imagem e do Som, constituem o ponto de partida para qualquer investigação séria sobre este assunto. Jacob gravou acompanhado de regional, pela RCA Victor em 1950, a música Graúna de João Pernambuco, musica esta que fazia parte do repertório dos Oito Batutas e que por eles foi gravada em 1923 pela Victor.
O ressurgimento do interesse na obra de João Pernambuco deve ser creditado, sem sombra de dúvidas, ao grande violonista erudito Turíbio Santos. Sua proximidade com a obra violonistica de Villa-Lobos certamente o impeliu para uma investigação das peças de Pernambuco. O resultado foi apresentado no Lp Choros do Brasil e principalmente na edição de treze partituras, pela Ricordi, de músicas de João. Devido ao seu grande prestígio, Turíbio fez com que muitos violonistas expressivos incluíssem estas músicas em seus repertórios.
Quase nesta época, em 1979, a gravadora Continental lança um Lp com as gravações originais de João Pernambuco e Zé Carioca, gravadas pela Columbia, e complementadas com as duas gravações feiras por Dilermando.
Em 1982, com vistas ao centenário de João Pernambuco, a Funarte promove um lançamento triplo:
1) A biografia João Pernambuco- Arte de um Povo, autoria de José de Souza
Leal e Artur Luiz Barbosa.
2) Lp João Pernambuco 100anos, com Antonio Adolfo e o conjunto Nó em Pingo
D'Agua. Neste trabalho são apresentadas as seguintes músicas: Interrogando, Mimoso,
Sonho de Magia, Choro em Sol, Sentindo, Rosa Carioca, Brasileirinho,
Dengoso, Valsa em Lá, Sons de Carrilhões e a Estrada do Sertão.
3) Álbum de partituras arranjadas por Antonio Adolfo e Maurício Carrilho contendo as seguintes músicas: Estrada do Sertão, Brasileirinho, Rosa Carioca e Sonho de Magia.
Na década de noventa tivemos quatro lançamentos significativos sobre a obra do Poeta do Violão:
1) Caio César interpreta João Pernambuco-vol 1.1993 (independente). Neste Cd são apresentadas as seguintes músicas: Sons de Carrilhões, Brasileirinho, Dengoso, Brejeiro, Sonho de Magia, Sentindo, Interrogando, Graúna, Choro No 1, Choro No 2 e Cecy. Infelizmente o segundo volume, que sairia pela Velas, naufragou junto com a gravadora
2) João Pernambuco, O Poeta do Violão- Eldorado 1997- Neste Cd o pesquisador e violonista Leandro Carvalho fornece uma visão bem abrangente da obra de João, incluindo sete canções sertanejas além das peças violonisticas. São elas: Reboliço, Caboca dí Caxangá, Ronca o Bizouro na Fulo, Dengoso, Sons de Carrilhões, Luar do Sertão, Preto no Branco, Pó de Mico, Azulão, Graúna, Sonho de Magia, A Estrada do Sertão, Meu Noivado e Interrogando. A excelência do violão de Leandro Carvalho, a qualidade dos músicos participantes e maravilhosa cantora que é Sandra Pereira, fazem deste trabalho uma obra prima.
3) Descobrindo João Pernambuco-Eldorado 1999- Novamente Leandro Carvalho nos surpreende com um trabalho da mais alta competência. São apresentadas pela primeira vez as parcerias de Pernambuco com Donga e Pixinguinha e também suas parcerias com Armandinho Neves. As músicas são as seguintes: Serrano, Recordando, Pensando em Agostinha, Estudo No 1, Pinheirada, Estrada do Sertão, Sonhando na Rede, Sabiá, Rosa Carioca, Brasileirinho, Lágrima, Saudosa Viola, Valsa em Lá, Lamentos, Noite de Ventura, Noturno, Choro No 1, Os Três Companheiros e Luar do Sertão.
4) Baden- João Pernambuco e o Sertão- Sesc 2000- O genial Baden Powell apresenta em seu derradeiro trabalho uma emocionante e emocionada leitura da obra de João. Com a participação de Leandro Carvalho, Baden nos apresenta as seguintes músicas: Luar do Sertão, Brasileirinho, Sons de Carrilhões, Valsa em Lá, Graúna, Dengoso, Estudo No 1, Pó de Mico, Sonho de Magia e Interrogando. Ao escutar este trabalho, sinto a presença de Meira. Numa entrevista a José de Souza Leal e que se encontra na Biografia de João, Rafael Rabello nos diz que; "conheci sua obra ouvindo Dilermando Reis e, aos dez anos, quando conheci o Meira perguntei-lhe se sabia tocar músicas de João Pernambuco. Aí então ele me ensinou uma porção de músicas...". Mais tarde Rafael nos presentearia com uma interpretação antológica de Interrogando, com Dino 7 Cordas no acompanhamento. Outro aluno de Meira, Maurício Carrilho, participou ativamente dos projetos da Funarte relativos ao centenário de João. Por fim, Baden com este derradeiro e belo trabalho...Meira e Pernambuco devem estar radiantes lá em cima, assim como nós aqui em baixo.
1 comentários:
Paulinho da Viola me mostrou muita coisa do João Pernambuco e do Canhoto da Paraiba. Pena que não aproveitei como deveria.
Jorge, sua forma de contar as coisas dá prazer em ler.
Mesmo sabendo que, pela fotografia, prefira fazer isso contrariando as leis da física, como a da gravidade.
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Paro aqui nesse seu espaço; leio, me deleito e curto.
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