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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Luiz Bonfá: Um gênio do violão brasileiro

 Luiz Bonfá: Um Gênio do Violão Brasileiro.
                                                                                                    por Jorge Mello



PRIMEIRA PARTE:                                                                       

Introdução:

O presente artigo é o primeiro passo no sentido de abranger a obra deste genial violonista brasileiro, que tem um estilo único no seu instrumento. Compositor inspirado, possui páginas imortais como Manhã de Carnaval e The Gentle Rain, além de uma importantíssima obra violonística.
Pesquisar sobre Bonfá foi uma consequencia imediata do trabalho que fiz sobre Garoto (Anibal Augusto
Sardinha) e esta primeira parte, ainda sujeita à inúmeras modificações, descreve a trajetória de Bonfá até o Clube da Bossa, conjunto liderado por Garoto, que se apresentou na Rádio Nacional nos anos 1946/47

1- O aprendizado com Isaias Sávio

Luiz Floriano Bonfá nasceu no bairro de Santa Cruz, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. De seu pai, imigrante italiano, herdou o primeiro nome e o sobrenome, além do amor pela música. Por influencia de seu pai, violonista amador que promovia animadas serestas em sua casa no bairro de Santa Cruz(Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro), Bonfá aprendeu as primeiras notas no violão. Tais serestas, nas quais Pixinguinha e Bororó(1) por algumas vezes participaram, deixaram vívida impressão na mente do jovem Bonfá, a ponto de motivá-lo a dedicar, tempos depois, dois Lps Violão Boêmio vol 1 e2, com músicas que evocam aquela atmosfera nostálgica. A medida que evoluía no violão seu pai o requisitava para participar cada vez mais daquelas serestas, o que fazia com indisfarçável orgulho. Certa vez em que eles foram a uma festa na casa de uma família amiga onde Pixinguinha iria tocar, estava presente o grande violonista e professor, uruguaio de nascimento e brasileiro de coração, Isaias Sávio (01/10/1900-12/01/1977). A pedido do pai, Luiz Bonfá tocou violão naquela festa, perto do mestre uruguaio, para que este o avaliasse. Após ouvir Bonfá, Sávio imediatamente convidou-o para ser seu aluno. Algumas dificuldades ,no entanto, deviam ser resolvidas. A maior delas era a questão da frágil situação econômica de sua família, o que impossibilitava à Bonfá pagar a aula semanal. Compreendendo a situação, Sávio disse que daria as aulas gratuitamente. Outra questão era a grande distância entre as casas de Sávio, no alto da rua Cândido Mendes, já em Santa Teresa, e a de Bonfá, em Santa Cruz. O entusiasmo do jovem Bonfá foi mais que suficiente para superar essa dificuldade: Ele vinha de trem até a estação Central do Brasil, pegava um ônibus até a Lapa e de lá subia a pé até a casa de Sávio. Eram duas horas e meia para ir e outras para voltar!(2),(3). Durante três anos Bonfá seguiu essa rotina e valeu a pena: “Estudar com Sávio foi extraordinário. Ao contrário de muitos professores, ele era amigo de seus alunos. Éramos como uma grande família de alunos com um pai espetacular” (4). Tal aprendizado foi de 1934 até 1936, quando Bonfá opta pela música popular.

Sávio foi de fundamental importância para a disseminação do violão clássico no Brasil (5). Discípulo de Miguel Llobet, ele chega ao sul do Brasil em 1931, apresentando-se em Porto Alegre e excursionando pelo sul e sudeste, até chegar na cidade do Rio de Janeiro, onde fixa residência de 1932 até 1940, lecionando e realizando recitais. Bonfá, Antônio Rebello e Deoclésio Melim foram alguns de seus alunos nesse período. Em 1941 se estabelece definitivamente na cidade de São Paulo, onde funda, nesse mesmo ano, a Associação Cultural Violonística Brasileira. Em 1947 institui a cadeira de violão no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Antônio Carlos Barbosa-Lima, Paulo Bellinati, Marco Pereira e Toquinho, dentre outros, foram também seus alunos na capital paulista.

2- Integrando o Trio Campesino, de Amado Smendel

Pouco se sabe sobre o que fez Bonfá logo após o período em que estudou com Sávio. Quase por acaso deparei-me com um recorte de jornal (6) em que o cantor e compositor paraguaio Amado Smendel aciona a dupla Bonfá/Jobim , alegando que a música “A Chuva Caiu”, de autoria da dupla, é inteiramente plagiada de sua canção Mboracjhu gravada em 1939 pela RCA VICTOR, no Rio de Janeiro, na época em que dirigia o Trio Guaraní, integrado por Luiz Bonfá. De fato,tal música foi gravada por Amado Smendel em 27/04/1939 no lado A do disco 43.464 da VICTOR. No lado B, outra composição de sua autoria: a polca Eres Linda. Se for confirmada a participação de Bonfá nessas gravações, então o ano de 1939 passará a ser considerado como o ano em que ele inicia sua vida profissional.

Ainda pela VICTOR, Amado Smendel gravou o disco 34.596, em 06/03/1940, acompanhado por um conjunto (é provável que Bonfá participasse), interpretando as músicas Desde Lejos e Beatriz, ambas de sua autoria, est a última em parceria com Emílio Biggi. Agora acompanhado por seu Conjunto Paraguaio (novamente, a participação de Bonfá é muito provável), Amado Smendel grava em 21/07/1942, na Odeon (disco 12.196), a guarania Índia, de Manuel Ortiz Guerreiro/José Assuncion Flores, e Undente Vaerá, polca galope de Smendel em parceria com J. M. Rivas.

A estreia oficial de Luiz Bonfá como compositor se deu em parceria com Smendel, na rumba Buenas Noches Señorita, gravação de Los Campesinos (trio de Amado Smendel), pela Continental(disco 15.368), em 1945. No outro lado do disco o trio gravou Nú Vai, polca paraguaia de C. Mendoza e J.B. Rodrigues. Nas apresentações que fazia em cassinos ao longo dos anos de 1944/45 o trio se apresentava como Los Campesinos. No recorte de jornal vemos um cartaz da apresentação de Los Campesinos no Cassino São Vicente, em 1944, onde Garoto (Aníbal Augusto Sardinha) aparecia como atração principal (7). A amizade entre Bonfá e ele bem poderia ter nascido nessa ocasião.

O ecletismo musical de Luiz Bonfá é uma de suas marcas. Após participar de dois conjuntos em que predominavam guarânias e boleros, ele estreia em discos como solista de violão executando músicas com nítidas influências norte-americanas, uma das mais fortes em sua obra. As gravações, todas pela Continental, feitas por Bonfá ao violão e por Gaúcho na bateria, são as seguintes:

*Disco 15 410, lançado em agosto de 1945 :

Lado A- J Alousie-Sleepy Lagoon. Foxtrot de Jacob Gade e Eric Coates.

Lado B- My Boogie Woogie. Foxtrot de Luiz Bonfá.

*Disco 15 476, lançado em agosto de 1945:

Lado A- Remember to You. Foxtrot de Luiz Bonfá.

Lado B-My Old Bass. Swing de Luiz Bonfá.

*Disco 15 616, lançado em abril de 1946.

Lado A-Granada-Santa. Músicas de Agustin Lara.

Lado B-I Get Lost-Foxtrot de Luiz Bonfá.

3) Com Garoto, no Clube da Bossa.

Em sua fecunda vida artística Garoto (Anibal Augusto Sardinha) formou inúmeros conjuntos, nos quais ele era, sem contestação alguma, o líder natural. Ele fazia os arranjos e promovia incontáveis ensaios. Dentre os conjuntos que formou, um dos mais interessantes foi o Bossa Clube. Descobrir quem eram seus integrantes é uma tarefa muito difícil, na qual estou muito empenhado. Eles gravaram alguns discos 78 RPM e se apresentaram na Rádio Nacional de outubro até dezembro de 1945.Para estas ocasiões Garoto escreveu arranjos e temos informações de alguns deles, o que nos permite ao menos dizer qual era a formação do Bossa Clube. O noticiário da imprensa pouco ajudou nesse sentido e as informações relevantes foram obtidas no diário do Garoto e no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.

O conjunto Bossa Clube participou de três gravações, todas pela Continental( discos nº15 473, 15 600 e 15 469,respectivamente), realizadas nos meses de outubro e setembro de 1945. No dia 2 de outubro eles acompanharam a cantora Emilinha Borba nas músicas O outro Palpite (Garoto e Grande Otelo) e Divagando(Nelson Miranda e Luis Bittencourt). No mesmo dia eles gravaram dois choros de Garoto: Sonhador e Celestial, com o autor solando as músicas na guitarra havaiana. No dia 27 de setembro acompanham a cantora Ademilde Fonseca nos choros Rato Rato(Casemiro Rocha/Claudionor Costa) e História Difícil(Vitor Santos/Pereira Costa).

Na Rádio Nacional Garoto apresentou, com seu conjunto Bossa Clube, o arranjo que fez para Holliday For Strings (D. Rose) no programa Revista Souza Cruz de 23 de outubro (terça-feira), às 20,30h. Este programa foi apresentado até o final de dezembro de 1945 e nele Garoto com o Bossa Clube apresentou os seguintes arranjos:

*Ontem ao Luar (Pedro de Alcantara/Catullo da Paixão Cearense), em 06/11.

*Relampago(Garoto), em 13/11.

*Minueto(Ignacy Jan Paderewsky), em ritmo de choro, em 27/11.

*Ameno Resedá (Ernesto Nazareth), em 11/12.

Violão tenor(solista), violões, violino, piano, baixo, bateria e percussão são os instrumentos identificados.

Alguns nomes como Luis Bittencourt(violão), Zimbres (piano), Vidal (baixo) e Bide (percussão) são considerados como muito prováveis integrantes daquele conjunto.



Com o fim do Bossa Clube surgiu o Clube da Bossa. Uma mera troca na ordem dos nomes? Seriam os mesmos integrantes? Seja como for, esse grupo fez sua estreia na Rádio Nacional em 13 de fevereiro de 1946, quarta feira, às 18 horas. O programa, que se chamava Clube da Bossa, tinha duração de 30 minutos e foi ao ar até o dia 17 de abril.

O conjunto Clube da Bossa reaparece aos sábados, às 10,15 h, no programa Calendário Musical Ross (das famosas pílulas do Dr. Ross), apresentado por Carlos Palut. Realizaram apenas três apresentações, com início em 25 de maio, pois em 15 de junho( que seria a quarta apresentação)Garoto perdeu a hora e ele e o conjunto não participaram do programa.

A partir de 22 de julho Garoto ensaia quase que diariamente com Luiz Bonfá e em agosto, também com Zé Menezes. De acordo com as informações colhidas no diário de Garoto, o Clube da Bossa, com Bonfá e Menezes, estreia às 20 h, no dia 11 de agosto (domingo). Uma nota publicada na coluna Rádio, por Alziro Zarur (8 )fornece os nomes dos integrantes do Clube da Bossa: " Um programa único no gênero, a cargo de Garoto e vários instrumentistas valiosos: Luiz Bonfá, Luis Bittencourt, Valzinho, Hanestaldo, Zimbres, Vidal, Bide e Sebastião Gomes". Notem que não aparece o nome do Zé Menezes...Foram realizados mais três programas em diferentes dias (17/08;09/09 e 16/09) até que no dia 01 de outubro apresenta-se o Clube da Bossa naquele que seria seu horário definitivo: Terça-feira, às 17,45 h. Numa nova entrevista concedida ao então cronista musical Alziro Zarur(9), Garoto assim declarou(transcrevo na íntegra, por ser muito instrutiva):

“Apresentarei oportunamente na Rádio Nacional o programa Senhor Violão, contando cada audição com músicas de um só autor. Exemplos: Músicas de Tárrega, Ponce, Chopin, Bach, Segóvia, Falla, Beethoven, Radamés Gnattali, Villa Lobos, etc. Terei também oportunidade de apresentar músicas e arranjos de minha autoria. Quanto ao Clube da Bossa, que se apresenta terças-feiras às 17,45, oferecerá aos seus ouvintes uma série de arranjos modernos. Como se sabe, os componentes do Clube da Bossa somos eu, Zimbres, Vidal, Sebastião, Bide, Bonfá e, como crooner exclusivo, Lúcio Alves.”

Mostramos abaixo o script de um desses programas do Clube da Bossa, já em 1947(10).




O Clube da Bossa gravou dois discos:
* Disco nº 800404-RCA VICTOR-Gravado em 08/03/1946.
Ericsson Martha e Clube da Bossa:
Lado A-Minha Prece (Luis e Renée Bittencourt).
Lado B-Amoroso (Garoto e Luis Bittencourt).

* Disco nº 15 692-Continental-Gravado em 27/06/1946.
Garoto e Clube da Bossa:
Lado A: Ameno Resedá (Ernesto Nazareth).
Lado B: Meu Cavaquinho (Garoto).

REFERÊNCIAS:

(1) Da Cor do Pecado, artigo sobre Bororó postado neste blog.

(2) Verbete Luiz Bonfá- Enciclopédia da Música Brasileira, pg 102. Art. Ed, 1977.Sãp Paulo.

(3) Violões do Brasil-Myriam Taubkin (org)-Luiz Bonfá,pg 78. Ed Sesc São Paulo,2007.

(4) O violão de Luiz Bonfá-texto original de Anthony Weller, adaptado por Eduardo Muszkat-Encarte do Cd Luiz Bonfá, Solo in Rio, 1959.

(5) Isaias Sávio-Violão e Mestres nº 5, pg 7.Junho de 1966.

(6) A chuva caiu- Recorte de jornal, sem identificação-Acervo Instituto Antonio Carlos Jobim.

(7) A Tribuna-Santos, SP-13/04/1944

(8) Garoto e o Clube da Bossa- Rádio, Alziro Zarur- A Noite, 12/08/1946, pg 6.

(9) Garoto é o “Senhor Violão”- Rádio, Alziro Zarur-A Noite, 09/11/1946,pg 7.

(10) Script do programa Clube da Bossa-Acervo particular de Jorge Mello.

 

terça-feira, 10 de maio de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

LIVRO "GENTE HUMILDE: VIDA E MÚSICA DE GAROTO"

Livro Gente Humilde:Vida e Música de Garoto.
Autor: Jorge Mello.

Prezados amigos frequentadores deste blog!

É com muita alegria que informo que o livro acima mencionadoserá lançado
(provavelmente) em dezembro de 2011 pela EDIÇÕES SESC SÃO PAULO.
Como resultado de 10 anos de intensa pesquisa, este livro revela o multi-instrumentista e compositor Garoto (Anibal Augusto Sardinha) numa dimensão até então desconhecida.

Espero dentro em breve informar a data exata de tal lançamento.
Um grande abraço,

A data do lançamento foi adiada por motivos operacionais, devendo ocorrer no 1º semestre de 2012.
                               Jorge Mello.




segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O VIOLÃO SECO DE NESTOR CAMPOS-SEGUNDA PARTE

O Violão Seco de Nestor Campos (segunda parte)
                                                          por Jorge Mello.
 1) Na Tv Portuguesa, com Maysa:
Ao iniciar as pesquisas para a minisérie Maysa, quando fala o coração o diretor Jayme Monjardim (filho de Maysa) recebeu um belo presente: imagens inéditas de dois programas feitos por ela para a tv portuguesa em 1959. O título era Encontro com Maysa: um programa com Maysa Matarazo, sendo o mesmo uma realização de Fernando Frazão. 
Começava o programa com uma versão instrumental de Ouça (composição de Maysa e seu maior sucesso), e logo em seguida aparecia Maysa de perfil, fumando um cigarro. Ao fundo um painel com a Baia de Guanabara, com destaque para a praia do Russel, Enseada de Botafogo e o Pão de Açucar. Ela se vira para a frente e diz- Boa Noite- com acentuado sotaque lusitano. Em seguida o apresentador Henrique Mendes tenta, em vão, decifrar o enigma Maysa. É bem melhor deixá-la cantar para que cada telespectador faça sua tentativa. De qualquer modo, estará diante de uma cantora esplêndida, com uma interpretação de arrepiar, numa total entrega, isso sem falar na afinação e divisão.
 Acompanhada por uma orquestra com excelentes arranjos(destaque para o piano),Maysa canta cinco canções: Suas Mãos, Negro Malandro de Morro, Bom Dia Tristeza, E a Chuva Parou e A Resposta.
 O segundo programa começa da mesma forma, exceto pela ausencia do apresentador. Maysa agora canta acompanhada do Conjunto Copacabana( com a seguite formação: Piano, guitarra, baixo e pandeiro) as músicas Brigas, My Funny Valentine, Neste Mesmo Lugar, Chega de Saudade e Eu não Existo Sem Você. Em Chega de Saudade acontece algo inusitado! Ela parece chamar alguém com as mãos...o volume do pandeiro e da guitarra aumentam, pois Caco Velho e Nestor Campos aproximam-se dela e com ela dividem a cena até o final da música. Por sinal, a guitarra de Nestor se faz presente de forma brilhante em todas essas músicas! Creio ser esta a única imagem animada desse grande músico...
Estas apresentações estão no making off do dvd da série Maysa, quando fala o coração.
É também possível assistir a apresentação da música Chega de Saudade no site do Youtube, através do link:
http://www.youtube.com/watch?v=1A6ZqSwKS44
Agradeço ao meu amigo e grande pesquisador Thiago Mello(http://bossa-brasileira.blogspot.com) por essa informação.
2) O encontro com Sivuca
Numa entrevista que concedeu ao site Gafieiras (www.gafieiras.org.br), Sivuca conta que fraturou o crânio ao cair de uma bicicleta quatro dias antes de terminar uma tournê pela Europa com um grupo de músicos brasileiros, com Waldir Azevedo, Edson Machado e Tião Marinho dentre eles. O grupo retornou ao Brasil e Sivuca permanecia internado num hospital, na Itália. Já reestabelecido, ele parte para Portugal e forma um quinteto com os seguintes músicos que por lá se encontravam: Nestor Campos na guitarra, Dimas Sedicias no contrabaixo, Nei de Castro na bateria e Olga Silva nos vocais. Isso ocorreu em 1959, que foi o ano do lançamento do disco (gravado na Europa)de Sivuca intitulado Vê se Gostas. Na entrevista ao Gafieiras ele não cita esse disco e como ele é muito raro, ainda não sei se o quinteto nele participa ou não.
Após obter muito sucesso em Portugal, o quinteto seguiu para Paris. Lá fizeram cerca de quinze audições em casas noturnas, até que finalmente surgiu uma luz no fim do túnel:O cantor brasileiro Silvio Silveira, radicado lá, levou Eddie Barclay, produtor e proprietário da gravadora Barclay para assistir a uma apresentação. Ele gostou muito do que viu, principalmente do acordeonista..."leve esse acordeonista lá, que nós precisamos falar. Os outros podem ficar", foram as palavras de Barclay. Entretanto os integrantes do quinteto tinham um trato entre eles : o primeiro que arrumasse alguma coisa levaria o grupo! Desse modo eles gravaram dois discos por aquela gravadora, por volta de 1963: Rendez-Vouz a Rio e Sivuca e seus Ritmos Brasileiros. Uma curiosidade acerca desses dois discos: Sivuca canta as mais destacadas músicas da bossa-nova, como Samba de Uma Nota Só e Desafinado, de Tom Jobim e Newton Mendonça e Rapaz de Bem, de Johnny Alf. É interessante também observar nessas músicas, a batida do violão de Nestor.
A temporada de Sivuca na França se estenteu até o início de 1964, embora eu não saiba se Nestor permaneceu com ele. Certamente ele se lançou em carreira solo, como sugerem as imagens das capas dos discos, mostradas no início desse artigo, não mais gravados na Barclay, mas sim na Pacific. 









 


 































3) Nestor Campos em Portugal


* No Restaurante-Bar Dominó:

Após a temporada em Paris, ao invés de incrementar sua carreira internacional, a exemplo do que fez Sivuca, Nestor Campos decidiu fixar residência em Lisboa, passando a se apresentar no Restaurante-Bar Dominó, que ficava no Parque Mayer. Neste restaurante, de propriedade de Maria Luisa Barbosa, com quem Nestor viria a se casar, ele se exibia pra um público cativo, admirador de sua arte. O grande Vinicius de Moraes fazia questão de vê-lo  tocar, sempre quando estava em Lisboa. Apresentavam-se lá também o cantor Nicolau Breyner, a cantora brasileira Carmen Costa e o humorista Raul Solnado, dentre outros.
Nestor privou também da amizade de outros grandes nomes da música brasileira, como Tom Jobim, Baden Powell, João Gilberto e Chico Buarque, como me contou sua filha Maria Benedita de Campos. Ainda segundo ela, seu pai tocou com Duke Ellington e participou como instrumentista, arranjador e compositor de trilhas musicais para filmes protagonizados por Brigitte Bardot e Sidney Poitier. Vale lembrar que Maria Benedita, Alice e Neuza são filhas do segundo casamento de Nestor em Portugal.
José Ribamar Neves Filho, médico, músico e produtor cultural, entrevistou Nestor Campos em 1974, sendo a entrevista publicada na revista Musicalissima, provavelmete em abril daquele ano.
* No Bar Bipi-Bipi: 
Por volta de 1980 um piloto de avião reformado, brasileiro, conhecido como Comandante Sobral, contratou Nestor Campos para tocar no bar de sua propriedade, cujo nome era Bipi-Bipi( em homenagem ao satélite Sputnik). 
Jorge Rosa, um amigo virtual que espero transformar também em real, forneceu-me interessantes informações acerca da personalidade artística de Nestor Campos. Nosso artista era conhecido por não "fazer canjas" com outros músicos.Raramente abria uma exceção e quanto isso acontecia era motivo de comentários sobre as qualidades do músico convidado. Tal foi o caso do bandolinista brasileiro Eduardo Miranda. Este me disse o seguinte:
" Eu toquei um bom tempo com o Nestor Campos...Posso lhe dizer que sem dúvida ele foi um dos maiores músicos que conhecí ao longo da minha carreira musical. Um estilo muito particular que, sem imitar ninguém, conseguia etar ao nível dos maiores violonistas do seu tempo, inclusive Baden Powell ( e não só)".
Outra exceção foi a cantora Mara Abrantes, que interpretou uma canção de Nestor Campos em parceria com Antônio José, poeta portugues. Um Resto de Azul é o nome desta canção que não sei se chegou a ser gravada. Jorge Rosa disse-me que Mara Abrantes tinha uma das mais doces vozes que ele já ouviu.
Sempre que Teresa Rosa, irmã do Jorge, entrava no Bipi Bipi, Nestor cantava para ela a música de Tom e Billy Blanco, Teresa da Praia. Uma das lendas que corriam a respeito de Nestor é que ele teria participado na composição dessa música. Jorge Rosa é enfático ao dizer que Nestor cantava muito bem.
As fotos que abrem o presente artigo foram disponibilizadas por Jorge Rosa, a quem de público faço meu agradecimento.
Na foto de cima, da esquerda para a direita: Abóbora (apelido dado por Tim Maia à Paulo Roberto), Nestor Campos, Zé Candango (pandeiro) e Dalú (surdo treme-treme). Na foto de baixo: Abóbora, Zé Candango e Nestor  Campos.
Nestor Campos faleceu em 1993.

4) Musicografia
1)  ZEZINHO TEIMOSO- CHORO.
 GRAVADO EM 1958 NO LP EM RITMO DE DANÇA-QUINTETO DE K-XIMBINHO-VOL III. POLYDOR-LPNG 4015

2) PASSARINHO DA NOITE- CHORO.
* GRAVADO EM 1957 NO LP NESTOR CAMPOS E SEU CONJUNTO DE BOITE-MUSIDISC HI-FI 2.
**GRAVADO EM 1958 NO LP PAULO MOURA E SUA ORQUESTRA DE DANÇA.

3) JOÃO SEBASTIÃO BACH- CHORO EM PARCERIA COM DICK FARNEY.
*GRAVADO EM 10 DE JUNHO DE 1953 POR DICK FARNEY E SEU QUINTETO.
**GRAVADO EM 1963 NO LP OS FARROUPINHAS-CONJUNTO FARROUPILHA.

4) MULATINHO- CHORO EM PARCERIA COM MESQUITA.
*GRAVADO EM 04 DE FEVEREIRO DE 1953 POR MESQUITA(VIBRAFONE) E SEU CONJUNTO, 78 RPM 80-1103-B
**GRAVADO EM 1958 POR GAUCHO E SEU CONJUNTO NO LP RIO, MAGRUGADA E AMOR.
***GRAVADO EM 1963 PELO SEXTETO GUANABARA NO LP MUSIDISC, SORVETE DANÇANTE, VOL 2.

5) UM BAIXO NO CHORO- CHORO.
GRAVADO EM 1955 POR NESTOR CAMPOS NO 78 RPM DA COLUMBIA, CB-CB 10.176-B.

6) CHORO Nº1- CHORO
GRAVADO EM 1954 POR DICK FARNEY E SEU QUINTETO, LPP 4-CONTINENTAL.

7) NERVOSINHO- CHORO.
GRAVADO EM 1954 POR DICK FARNEY E SEU QUINTETO, LPP 4-CONTINENTAL.

8) LINGUA DE SOGRA- CHORO.
GRAVADO EM 1953 NO LP PARADA DE DANÇA Nº 2, MUSIDISC M-010
POR DJALMA FERREURA E SEUS MILIONARIOS DO RITMO.

9) CHORO Nº 2- CHORO
GRAVADO EM 1957 NO LP DANÇANDO COM STEVE BERNARD, POLYDOR PLNG 4009, POR STEVE BERNARD E SEU CONJUNTO.

10) UM CHORINHO DA CHINA- CHORO EM PARCERIA COM GAUCHO.
* GRAVADO EM 1959, NO LP RIO, MADRUGADA E AMOR Nº 2, POR GAUCHO E SEU CONJUNTO.
** GRAVADO EM 1960 POR CARLINHOS MASAFOLI E SEU ACORDEON.

11) DAMA DA NOITE- BEGUINE.
GRAVADO EM 1953 NO LP PARADA DE DANÇA Nº 2, MUSIDISC M-010
POR DJALMA FERREURA E SEUS MILIONARIOS DO RITMO.

12) DANCE E NÃO SE CANSE-
GRAVADO EM 1955 NO LP 10 POL MÚSICA DA NOITE, MUSIDISC DL 1014, POR NESTOR CAMPOS E SEU CONJUNTO DE BOITE.

13) CHARANGA-
GRAVADO EM 1957  NO LP DEPOIS DAS 10, POLYDOR LPNG 4009, POR STEVE BERNARD COM SEU CONJUNTO DE BOITE.

14) UM RESTO DE AZUL-EM PARCERIA COM O POETA PORTUGUES ANTONIO JOSÉ.
INTERPRETADA POR MARA ABRANTES.

15) BAIÃO DO SUL- BAIÃO.
GRAVADO EM 09 DE DEZEMBRO DE 1952 NO 78 RPM, 80-1086 a, RCA-VICTOR, POR ZACCARIAS E SEU CONJUNTO.

16) FRASES DE AMOR- BOLERO EM PARCERIA COM ALBERTO PAZ.
* GRAVADO EM 13 DE FEVEREIRO DE 1957 NO RPM ODEON 14 369, POR ALAÍDE COSTA.
** GRAVADO POR EMILINHA BORBA NO CD DA REVIVENDO: SUA MAJESTADE, A RAINHA DO RÁDIO.

17) TANTO QUANTO EU- SAMBA EM PARCERIA COM WALTER SANTOS.
GRAVADO EM 1953 NO LP 10 POL PARADA DE DANÇA Nº1, MUSIDISC M-002, POR HELENA DE LIMA COM DJALMA FERREIRA E SEUS MILIONÁRIOS DO RITMO.

18) TREVAS- EM PARCERIA COM SYLVIO VIANNA.
ENCONTRADA NO ACERVO DE PARTITURAS DO MUSEU DA IMAGEM E DO SOM-MIS, RJ.

19) BEDUINO TRISTE- BOLERO EM PARCERIA COM SYLVIO VIANNA.
Gravado em 1958 por Carlos Augusto com a Orquestra de Simonetti, no Lp 10 pol Carlos Augusto vol 1, Polydor197b.

20) TOADA DO BEIJO-EM PARCERIA COM SYLVIO VIANNA.
GRAVADA EM 1956 POR CARMINHA MASCARENHAS NO 78 RPM DA COPACABANA, 5.550-b.
 
Creio sinceramente que o número de composições feitas por Nestor deva ser bem maior que este, mas o que aí está é tudo o que conseguí apurar.
Finalizo este artigo lançando uma sugestão: Por que não lançar um cd com as gravações originais das composições de Nestor Campos, destinando a renda obtida para ajudar na reconstrução da cidade de São Luiz do Paraitinga?

 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O VIOLÃO SECO DE NESTOR CAMPOS-PRIMEIRA PARTE







O VIOLÃO SECO
DE NESTOR CAMPOS.
(primeira parte)
POR JORGE MELLO.

1- Introdução
Violonista e guitarrista de primeira linha, Nestor Campos tocou com Dick Farney, Luiz Bonfá, Tom Jobim, Johnny Alf, João Donato, K-Ximbinho, Altamiro Carrilho e Sivuca, dentre outros, vivendo intensamente o período pré-Bossa Nova.
Nestor Campos sucedeu Garoto tanto no Trio Surdina quanto na Rádio Nacional. Em 1959, já estabelecido em Portugal, excursionou pela Europa com o conjunto liderado por Sivuca. Fixou residencia em Portugal, onde atuou até o fim de seus dias.
2 - São Luiz do Paraitinga: A cidade onde nasceu Nestor Campos.
Observei que, em minhas incursões ao setor de microfilmagens da Biblioteca Nacional (BN), o nome de Nestor Campos aparecia com alguma freqüência em assuntos relacionados à década de 50. Comecei então a copiar tudo o que se referia a ele, , para ser usado numa ocasião futura. Pesquisei também nos acervos do Museu da Imagem e do Som (MIS), no setor de música da Biblioteca Nacional (BN), obtive documentos importantes sobre o Trio Surdina (do qual Nestor participou) com Nilo Sérgio Filho e entrei em contato (inicialmente através do blog VinylManiac) com as filhas do Nestor, nascidas em Portugal, em especial a Maria Benedita Campos, que me forneceu valiosas informações sobre aquele período e duas fotos (As duas fotos no início do artigo).
Nesta altura, já com o livro sobre o Garoto concluído (deverá sair em junho de 2011 pelas Eduções SESC SP), senti que era a hora do Nestor Campos aparecer! Comecei a investigar sua discografia e obtive algumas informações relevantes pela internet, especialmente nos blogs VinylManiac e Loronix. Ao juntar todas as peças que dispunha para delinear um perfil, ainda que incompleto, de Nestor, deparei-me com um problema: em algumas fontes, por sinal bem confiáveis, aparecia ele como nascido em 6 de março de 1920 na cidade de… São Luis de Piratininga, SP.(1), (2).
Essa questão foi esclarecida num artigo de Jayme Negreiros, dedicado a Nestor e publicado em 1954 (3). O artigo começa assim:
Faltava ainda uma parte essencial: sua pré-história e infância! Logo ao me convencer do seu lugar de origem entrei no site da Prefeitura de São Luis do Paraitinga, mantendo contato, isso em 2008, inicialmente com Eduardo de Oliveira Coelho (Departamento de Turismo) e em seguida e mais intensamente com o então Diretor de Cultura e também músico, Galvão Frade. Ele esteve com Dona Cinira, viúva de Elpídio dos Santos que, do alto dos seus 82 anos e extremamente lúcida, contou-lhe o seguinte:
“Nestor Pereira Campos é o nome do guitarrista que hoje forma no primeiro time dos nossos músicos, mercê do seu trabalho, do seu esforço, gôsto pela profissão e porquê ele discerne o bom do ruim (antigo e moderno também). Tocando assim meio “Chuck Wayne” hoje em dia, ele veio ao mundo em São Luiz do Paraitinga(Terra de Oswaldo Cruz) em 1920…”
Ainda segundo Dona Cirina, Neusa esteve recentemente na cidade, vindo matar as saudades e visitar a tradicional Festa do Divino.
“O pai de Nestor era conhecido na cidade por “Nego Pavão” e era casado com “Nhá Maria”. Ele morou num sítio no Bairro dos Pimentas, que fica na Zona Rural, depois mudando-se com a família para a cidade. “Nego Pavão” tinha seis filhos: Zé (tocava violão) era o mais velho, depois tinha o Nestor (Nestor Pavão) que também era músico, o Pernambuco que tocava caixa na Banda de Música da cidade e os outros que não tocavam instrumento nenhum. Waldomiro veio morar no Rio, a Neusa e a Nena ficaram em S. Paulo…”
São Luiz do Paraitinga(SP) possui atualmente cerca de 10 mil habitantes e tem uma intensa programação cultural, destacando-se o carnaval (em que possui extenso repertório de marchinhas produzidas por seus moradores) e a festa do Divino Espirito Santo. Outros eventos musicais ocorrem ao longo do ano naquela cidade, não sendo exagero chamá-la de “Cidade dos Músicos”.
As cidades de Taubaté e Ubatuba são ligadas entre si pela Rodovia Oswaldo Cruz. Aproximadamente no ponto médio desta rodovia está São Luiz do Paraítinga, cidade que já produziu ilustres moradores como o Médico e Cientista de renome mundial – seu maior expoente – Oswaldo Cruz. Ainda na área científica podemos citar o geógrafo e professor emérito da USP, distinguido por vários premios científicos, Aziz Ab`Saber. Na área musical a grande referência é o músico e compositor Elpídio dos Santos, autor da música de quase todos os filmes do comediante Mazzaropi. Recentemente veio a tona, ainda nesta área o nome de outro filho ilustre de São Luiz do Paraitinga: Nestor Pereira Campos.
No início de 2010 esta cidade foi praticamente destruída pela enchente no Rio Paraitinga.
Quase toda sua população foi obrigada a deixar seus lares. Todo centro histórico (cerca de 90 imóveis) foi inundado, com a enchente danificando prédios e causando o desabamento da igreja matriz São Luiz de Tolosa, que data do século 19. Passado pouco mais de um ano a cidade, graças a ajuda governamental e a participação de sua valorosa população, São Luiz do Paraitinga está se recuperando muito bem.

3) O início da carreira
*Tanto Dona Cinira quanto o jornalista Jayme Negreiros mencionam que a família de Nestor se mudou para a cidade de São Paulo e foi lá que ele iniciou sua carreira de músico profissional como integrante da Orquestra de J. França no periodo de 1941 até 1943. Esteve também no Rio de Janeiro onde tocou com Claude Austin no Copacabana Palace. Após um breve retorno a São Paulo, onde fez temporada no Esplanada, radicou-se na cidade do Rio de Janeiro.
*Em 1951 Nestor Campos excursionou pelo norte do Brasil como integrante do conjunto “Milionários do Ritmo”liderado por Djalma Ferreira, e tendo Helena de Lima como crooner.
É bem provável que ao longo de 1952, Nestor tenha se apresentado em algumas das jam sessions que aconteciam em pequenas boates do Rio de Janeiro e também como integrante e grande destaque do conjunto de Djalma Ferreira.
Não por acaso ele obteve expressivo resultado no concurso promovido por Paulo Santos no programa “Cinemúsica” (especializado em Jazz), na Rádio Ministério da Educação. Os ouvintes daquele programa elegeram por carta “Os melhores de 1952″(4) e Nestor Campos obteve um honroso 3º lugar, na categoria “guitarra”, ficando atrás de Zé Menezes e Garoto Observando a lista publicada, encontramos algumas curiosidades: Na categoria “pequenos conjuntos” o resultado foi: 1º) Djalma Ferreira e os Milionários do Ritmo, 2º) Os Copacabanas, 3º) Johnny Alf. Na categoria “piano”:1º) Fats Elpídio, 2º) Radamés Gnattali, 3º) Dick Farney. Em “Conjuntos Vocais”: 1º) 4 Ases e 1 Coringa, 2º) Os Cariocas, 3º) Garotos da Lua.
*O disco “Parada de Dança nº1″ com Djalma Ferreira e seus Milionários do Ritmo, foi o segundo lançamento da Musidisc de Nilo Sergio.Numa de suas faixas está Tanto Quanto Eu, música de Nestor Campos e Walter Santos, alí interpretada por Helena de Lima. Ainda pela Musidisc no final daquele ano, foi lançado o LP de 10 polegadas “Parada de Dança nº 2″ com também com Djalma Ferreira e seus Milionários do Ritmo. Numa das faixas está Lingua de Sogra, composição de Nestor. A formação desse conjunto é a seguinte: Djalma Ferreira-piano e solovox; Nestor Campos-guitarra; Edigio Bocanera-contrabaixo; Cecy Machado-bateria; Amaury Rodrigues-bongô.
*Baião do Sul, outra composição de Nestor Campos, foi gravada na RCA Victor(80 1086) em 09 de dezembro de 1952 por Zaccarias e seu Conjunto. Esta música também foi gravada pela Orquestra Tabajara de Severino Araújo, integrando o CD Gafieira lançado pelo selo Revivendo.
*Mesquita (vibrafone) e Seu Conjunto gravaram pela RCA Victor, em 4 de fevereiro de 1953, um 78 RPM com o baião Mariá, autoria de Britinho, de um lado e Mulatinho, choro de Nestor Campos e Mesquita, do outro. Esta música foi também gravada por Gaúcho e Seu Conjunto – Rio… Madrugada e Amor – pela RGE em 1958 e também pelo Sexteto Guanabara – Sorvete Dançante nº2 – pela Musiplay em 1963.
*Gravado pela Continental em 10 de junho de 1953, o 78 RPM (16 807) de Dick Farney e seu quinteto interpretando Nova Ilusão (José Menezes e Luis Bittencourt) e o choro João Sebastião Bach (Nestor Campos e Dick Farney) foi muito bem recebido pela crítica e pelo público. Nesta última música os diálogos entre piano e guitarra são notáveis!

4) A fase de ouro
*Em 1954, uma nova geração de músicos se apresentava em boates, especialmente a Beguin, onde aconteciam as chamadas Jam (Jazz After Midnight) Sessions, como noticiou Jayme Negreiros(5):
“Na Boite Beguin (Hotel Glória), como apresentação do que será o Festival de Samba e Jazz organizado por Jorge Guinle e Eduardo Tapajós (Este, gerente do hotel e da boate), haverá à noite uma Jam Session com a participação, dentre outros, dos músicos Johnny Alf (piano), Julinho Barbosa (piston), Guio de Morais, Hélio Marinho (sax tenor), Jorginho (sax alto), Ribamar (piano), Zé Bodega (sax tenor), Nestor Campos (guitarra), Elpídio (piano),Juvenal (baixo), Miranda Filho (bateria) e as cantoras Louis Cole, Lígia e Dolores Duran.”
Aquela boate também organizou ainda em 1954 algumas “Noites da Velha Guarda”, com Pixinguinha, Donga, João da Baiana e os demais que participaram da festa do IV Centenário de São Paulo. Isto mostra como o tradicional e o moderno coexistiam pacificamente. Donga, um ícone da Velha Guarda, assim se manifestou numa entrevista (6):
*Ainda neste ano de 1954 também apareciam, apadrinhados por Garoto, o já notável pianista Luizinho Eça (eles se apresentaram em duo nos bailes noturnos em clubes e/ou residências) e a cantora Silvinha Telles (que cantou acompanhada por aquele violão maravilhoso em saraus e no Salão do Automóvel Clube). Entretanto foi no mercado fonográfico que os novos talentos deixaram sua marca: na maior parte desses trabalhos figurava com destaque o nome do guitarrista Nestor Campos.
“Minha maior alegria é quando vejo surgir uma voz nova, um instrumentista de real valor. Aí tem vocês, por exemplo: Baden Powell, grande solista de violão; Zélia, exímia acordeonista;Alaíde Costa, cantora de voz dolente, com um profundo sentimento dos ritmos brasileiros; Leny Andrade, cantora e pianista de 11 anos; Leila Santos, soprano de invulgar merecimento e Sidney dos Santos Silva, solista de violão e contrabaixista que nada fica a dever aos melhores que temos conhecido e que…é meu neto!”
*O disco de estréia de Johnny Alf como cantor (Sinter-S 770) causou grande impacto na crítica especializada, tendo recebido de Jayme Negreiros (“O Jornal”, 21/09/1954, na seção discos) o seguinte comentário(7):
Alf interpretou Dizem Por Aí, samba-canção de Haroldo Eiras e Victor Berbara e Beija-me mais, samba-canção de Amaurí Rodrigues, acompanhado pela Orquestra Melódica de Lírio Panicali, formada por 4 violinos, viola, cello, harpa, acordeon (Gaúcho), acrescidos de um trio de intenções jazzísticas:Nestor Campos-guitarra; Pedro Vidal-contrabaixo e Manoel Dias-bateria.
“A mais moderna interpretação posta em disco brasileiro até hoje, por um cantor nosso”.

*Formado por João Donato (piano), Nestor Campos (guitarra) e Gagliardi (contrabaixo), o “Trio Donato” gravou um disco (Sinter 00-00.343) com as músicas Se Acaso Você Chegasse, samba de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins e Long Ago and For Away, canção de Jerome Kerr e Ira Gershwin, merecendo discretos elogios da crítica. Jayme Negreiros (8) destaca a boa interpretação, especialmente a de Nestor, no samba de Lupicínio mas é impiedoso na segunda música:
“Não está inteiramente capturado pelo trio o espírito jazzistico, bop, cool mesmo, que ainda tentou dar, o que me admirou muito, visto Donato, Nestor e Gagliardi serem estudiosos músicos e constantes admiradores da moderna música norte-americana”.
*O mesmo crítico musical (9) faz o seguinte comentário sobre um LP que estava sendo gravado por Bonfá:

“O LP “Luiz Bonfá”, com Claudio (violino), Donato (harmônica), Nestor (violão seco), Gagliardi (contrabaixo), Juca (bateria) e com o próprio Bonfá em seu instrumento, será realizado pela Continental. Músicas suaves, bonitas, como só o Bonfá sabe apresentar, variando os temas. Enfim, vai ser um LP ( que se sair como eu ouvi nos ensaios)inesquecível”.

Classificar curiosamente como “violão seco” o violão que Nestor toca, indica que o autor percebeu nele algo inusitado, bem diferente do violão de acompanhamento feito naquela época. Embora também solista, é claro que Nestor atuou como acompanhante no Lp do já famoso violonista e guitarrista Luiz Bonfá.

Realmente saiu o LP Luiz Bonfá pela Continental, LPP-21, mas não da forma anunciada por Jayme Negreiros. A inclusão dos músicos Tom Jobim, Altamiro Carrilho, Quinídio Teixeira e Pedro Vidal revela uma mudança na concepção original do disco. Vamos ao texto da contracapa reproduzido na íntegra:

Este disco, todo ele instrumental, traz a primeira composição de Tom e Bonfá, o choro moderno O Barbinha Branca. (10) Na opinião do autor deste artigo, na faixa Minha Saudade, tanto o violão que acompanha Bonfá quanto o acordeon de João Donato antecipam em 4 anos a famosa batida da Bossa Nova. É muito provável que este violão seja o “violão seco” de Nestor Campos, muito embora seu nome não conste no texto da contracapa. Mesmo tento certeza quase absoluta, creio que somente João Donato poderá elucidar esta questão.
“LUIZ BONFÁ, solista de violão e compositor dos mais aplaudidos da música popular brasileira, é a figura central deste disco, que reúne uma série de números selecionados, sendo alguns de sua própria autoria. DONATO, acordeonista, é o arranjador do samba de sua autoria Minha Saudade, tomando parte, além desta, nas gravações do choro de Bonfá Chora Chorão! E no fox do mesmo autor Canção de Outono. ANTÔNIO CARLOS JOBIM (TOM), pianista e maestro consagrado por sua grande personalidade, está neste disco tocando a valsa Dúvida (Luiz Bonfá) e o conhecido bolero Perfídia (Armando Rodriguez), do qual fez o arranjo. Foi o idealizador também da apresentação de O Barbinha Branca, choro do qual é autor juntamente com Bonfá. ALTAMIRO CARRILHO, consagrado flautista e compositor de sucesso, é o artista que se escuta executando o bolero Perfídia. CLAUDIO (VIOLINO) tem oportunidade magnífica em Uma Prece e Canção de Outono, ambas de Bonfá. QUINIDIO TEIXEIRA é o sax-tenor que executa O Barbinha Branca. Em Violão no Samba, de sua autoria e de grande efeito, Bonfá demonstra seu grande virtuosismo. Completando o disco, o ritmo de João Stockler (Juca) na bateria, e Vidal e Galhardo revezando-se no contrabaixo”.


*Ainda em 1954 Dick Farney gravou pela Continental um LP de 10 polegadas com o seu quinteto formado por ele ao piano, Nestor Campos (guitarra), Silvio Vianna (vibrafone), Gagliardi (baixo) e Hanestaldo (bateria). Dentre as 8 músicas que integram o disco, 2 são de Nestor: Choro nº1 e Nervosinho (choro). Na face A desse disco estão os dois choros de Nestor, além de Fique Calma, samba-choro de Nilton Magalhães e o choro de Sylvio Vianna, O Gênio de Marly. Se o lado A foi dedicado ao que podemos chamar de choro-jazz, o lado B é dedicado ao fox, com uma música de Eduardo Dutra (pai do Dick Farney) chamada Preludio Op 32.
*Quando o romeno Stephen Bernhardt chegou ao Brasil em 1952 talvez nem soubesse que construiria por aqui uma sólida carreira musical com seus discos alcançando altos índices de popularidade. Ele lançou seus dois primeiros Lps 10 pol pela Sinter em 1954 e 1955: “Steve Bernard e Sua Arte” (volumes 1 e 2). O repertório, bem eclético, onde se encontram choros (Ernesto Nazareth, Lina Pesce e Silvio Vianna), valsas e fox, foi executado pelos seguintes músicos: Steve Bernard (órgão), Nestor Campos (guitarra), Hanestaldo Américo (bateria), Silvio Vianna (vibrafone e maracas) e Raul Gagliardi (contrabaixo).

*Nestor Campos pertenceu aos quadros da famosa Rádio Nacional a partir de 1954. Jayme Negreiros já o menciona como contratado por aquela emissora no seu ensaio biográfico. Num livro dedicado a Radio Nacional, ele aparece como integrante do corpo artístico daquela emissora (11). Além disso encontrei no setor de partituras do Museu da Imagem e do Som um arranjo orquestral feito por Nestor para a Canção da Volta, de Antônio Maria e Ismael Neto.Ainda nno mesmo setor dessa instituição, encontrei uma composição de Nestor Campos e Silvio Vianna, intitulada Trevas. É bem provável que ele tenha sido o sucessor de Garoto na Nacional, pois que este rescindiu o contrato com a emissora em 28 de junho de 1954.

*Logo após a morte de Garoto a Musidisc lançou uma série de discos com o novo Trio Surdina (12) formado por Nestor Campos -violão, Gaúcho(Auro Pedro Thomaz) -acordeon e Al Quincas(Joaquim Gonçalves Oliveira Filho)-violino.
Dentre esses discos, gravados entre 1955 e 56, podemos destacar:
  • Boleros Famosos vol I(DL-1003) e II(DL-1005);
  • Ouvindo Trio Surdina vol I(DL-1006), II(DL-1009) e III(Dl-1017);
  • Aquarela do Brasil( DL-1004);
  • Dorival Caymmi,Ary Barroso e Noel Rosa (DL-1007).
O fato desta nova formação permanecer desconhecida por bastante tempo causou uma enorme confusão entre colecionadores e admiradores do Trio Surdina. “Quantos discos Garoto, Chiquinho e Fafá gravaram?” e “Quem são os integrantes do novo trio?” eram as perguntas mais freqüentes. Muito embora cada formação possua sua peculiaridade, seu som característico (Basta comparar “Noel Rosa e Dorival Caymmi” (M-014), formação original, com “Dorival Caymmi, Ary Barroso e Noel Rosa” (DL-1007) com a nova formação), a qualidade técnica era excelente em ambas! Thiago Mello,em seu excelente blog (13), chama a atenção para o excelente violão de Nestor. De fato, podemos observá-lo cuidadosamente através desses discos do Trio Surdina em sua nova formação, e constatar o alto nível técnico, a clareza das frases e a harmonização muito bem construída.
*O primeiro disco de Nestor Campos, um 78 RPM lançado em agosto de 1955 pela Columbia, foi assim recebido pelo crítico Sylvio Tullio Cardoso (14):
Nestor Campos - As Lavadeiras-Um Baixo no Choro.


O conjunto do guitarrista Nestor Campos executa a primeira música despretensiosamente, atentando sempre para a manutenção da linha melódica e do ritmo dançante. O sexteto está bem mais à vontade e desembaraçado no chorinho do reverso (autoria de Nestor), consumido em sua quase totalidade pela guitarra do líder.”
A composição de Nestor a que se refere Sylvio é Um baixo no choro.
*Muito embora a influência do Jazz tenha se manifestado principalmente nesta sua “fase de ouro”, a maior referência musical de Nestor é o choro, o que pode ser percebido através de grande parte de suas composições. Claro, não são composições no sentido ortodoxo do gênero mas que refletem sua leitura particular do choro. O subtítulo “A Fase de Ouro” dado a presente seção se justifica pelo fato de Nestor,entre 1954 e 1956, conseguir se firmar como instrumentista e compositor, além de integrar conjuntos e com os mesmos participar de gravações com expoentes daquele período, isso sem contar com sua atuação na Rádio Nacional onde trabalhou também como arranjador.

5) Música para se ouvir e, principalmente, dançar.
*Os Lps de Nestor Campos lançados a partir de 1956, quase todos, tem uma característica comum: o forte apelo comercial. Isto porém, não significa que ele tenha abandonado a qualidade técnica de suas interpretações e o bom gosto na elaboração de arranjos para grupos de pequena formação.

Pela Musidisc, Nestor Campos lançou 3 LPs:

a)Feitiço-Música da Noite (DL-1014) – Nestor Campos e Seu Conjunto de Boite”, com um repertório eclético que contempla, no lado A, o samba Agora é Cinza, Arrivederci Roma, Madeira, The Rose Tatoo. No lado B ,Dance e não se Canse (Nestor Campos), Cest La Vie, Molly-O, Morena Boca de Ouro.

Confesso que esperava bem mais desse disco de estréia do Nestor Campos. É bem provável que a decepção tenha como raiz a sua mudança de concepção, saindo de uma linha mais progressiva para uma bem mais convencional. Para exemplificar, basta comparar duas composições do próprio Nestor: Choro nº1 e Dance e não se canse, que está no presente disco.Nem tanto por suas inquestionáveis qualidades de executante, mas por essa mudança de concepção e pelo mau gosto na escolha de algumas músicas, o disco deixa a desejar.

Ainda assim o disco tem faixas muito boas como os sambas Agora é Cinza (Bide/Marçal) e Morena Boca de Ouro (Ary Barroso) , C Est la Vie (White/Wolfson) e Molly-o(Bernstein/Fins).
Não existe informação sobre os músicos que tocam nessa gravação os seguintes instrumentos: piano, baixo, vibrafone, acordeon e bateria. É bem provável que Gaucho seja o acordeonista.

b)Boite – Nestor Campos e seu Conjunto de Boite – LP 10 pol-1957″ (Hi-Fi 2).
Nesse disco estão duas composições de Nestor Campos: O bolero Ternura e o choro Passarinho da Noite. Esta última, muito bonita, foi também interpretada por Paulo Moura no Lp Sinter 1743, “Escolha e...dance com Paulo Moura”, lançado em 1958. Nestor participa da gravação dessa faixa, onde a forma de choro da composição fica mais evidente do que não gravação original. A belíssima Too Close to Confort e If You Can Dream são executadas em forma de bolero. A faixa Old Man Mambo é um mambo mesmo. Das faixas restantes, o baião Juntinhos Só Nos Dois e os sambas Mulher de Malandro (Ataulfo Alves) e Corcovado (Steve Bernard/Nazareno de Brito), destaco esta última. Parece incrível como um romeno tenha conseguido captar tão bem a essência do samba, produzindo uma bela melodia!
Em 1962 a Audiola lançou o Lp Ritmos Dançantes, com Nestor Campos. Esse disco é, na verdade, uma fusão dos dois primeiros, comentados acima. De qualquer forma, esse totulo retrata bem no que consistem os dois primeiros discos de Nestor.

c) “Bolero – Mambo – Nestor Campos and his Latin-American Orchestra” (Hi-Fi-2017).
Sebastião Fonseca, que assina o texto da contra-capa desse disco, lá nos informa que Nestor Campos passou seis meses no México para estudar e assimilar a música daquele pais. Esteve em permanente contato com as grandes orquestras da região e abriu seus ouvidos para o puro espirito da musica centro-americana, em especial, o Mambo.
Bem, não sei o quanto de lenda e o quanto de realidade tem no texto de Fonseca, mas o fato é que tal espírito foi mesmo compreendido por "Nestor Campos and his Latin-American Orchestra".

No lado A estão as músicas:
El Reloj/El Bodeguero/Amor Mio/Mambo do Panamá e La Barca.
No lado B:
Que Murmurem/Esperame en el cielo/High society/Sabra Dios e Mi ultimo fracasso.

*Nestor Campos teve, nesta fase, algumas participações importantes como em Turma da Gafieira, Lp 10 pol com músicas de Altamiro Carrilho, contando com o próprio na flauta, Raul de Barros no trombone, Maurilio Santos no trompete,nos saxofones: Cipó, Zé Bodega e Helio Marinho, Nestor Campos na guitarra, Zequinha Marinho no piano, Luiz Marinho no contrabaixo e Edison Machado na bateria. Tal ficha técnica encontra-se no blog VinylManiac(15). Trata-se de um disco de extrema importância no contexto da década de 50.

Também no excelente Porque Brilham Teus Olhos, Nestor e sua guitarra integra o conjunto liderado por Steve Bernard(órgão), tendo ainda Gagliard no baixo, Silvio Vianna na percussão e Anestaldo na bateria. esse disco foi lançado em 1957 pelo selo Fantasia (SPL-1805).
No Lp da Polydor( LPNG 4015, de 1958), Quinteto de K-Ximbinho em ritmo de dança vol III, Nestor participa como guitarrista no grupo liderado pelo genial clarinetista. Os outros integrantes são Vidal no contrabaixo, Water Gonçalves no piano e Hugo Tagnin na bateria. Neste disco aparece uma composição de Nestor, o belo choro Zezinho Teimoso.

Também com K-Ximbinho, participou como guitarrista do seu conjunto no Lp Polydor (LPNG 4025, de 1959) intitulado O Samba de Cartola. O título refere-se ao estilo mais sofisticado em que o samba é aquí apresentado, e não ao genial compositor Angenor de Oliveira, mais conhecido pelo apelido Cartola.

Sem dúvida alguma, a participação mais importante de Nestor nesse periodo e que marca o fim do mesmo, foi no Lp Samba Nouvelle Vague, de Sivuca.
Dele falaremos na segunda e última parte desse artigo.
Uma versão preliminar desse artigo foi publicada no site http://www.sovacodecobra.uol.com.br/

Agradeço à José Carlos Cipriano pela acolhida que tive nesse site quando dos meus primeiros artigos, e pela amizade construida ao longo desse convívio.

REFERÊNCIAS:

(1) Cardoso, Sylvio Tullio.Verbete Nestor Campos,pg 48, no Dicionário Biográfico de Música Popular.Rio de Janeiro, 1965.
(2) Verbete Nestor Campos no Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira.
(3) “O Jornal”, 28 de novembro de 1954, seção Discos, por Jayme Negreiros.
(4) “Os Melhores de 1952”.Jornal do Commércio-05 de março de 1953.
(5) “O Jornal”, 15 de maio de 1954, seção Discos, por Jayme Negreiros.
(6) “A Velha Guarda não silenciou”. Entrevista concedida por Donga (Ernesto dos Santos) à revista Radiolândia. Junho de 1954.
(7) “O Jornal”, 21 de setembro de 1954, seção Discos, por Jayme Negreiros.
(8) “O Jornal”, 03 de setembro de 1954, seção Discos, por Jayme Negreiros.
(9) “O Jornal”, 19 de setembro de 1954, seção Discos, por Jayme Negreiros.
(10)http://jorgecarvalhodemello.blogspot.com-"Colaboração musical: Luiz Bonfá/Tom Jobim.
(11) Pinheiro, Claudia (organização, coordenação e pesquisa). “ A Rádio Nacional: alguns dos momentos que contribuíram para o sucesso da Rádio Nacional”. Nova Fronteira, 2005.
(12)http://jorgecarvalhodemello.blogspot.com-"Desvendando o mistério:Trio Surdina.
(13)http://bossa-brasileira.blogspot.com
(14) “O Globo”. 10 de setembro de 1955. O Globo nos Discos Populares. Sylvio Tullio Cardoso.
(15)http://vinylmaniac1.blogspot.com